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terça-feira, abril 27, 2004
Posted
7:28 AM
by André Melo
A insistência do ônibus errado
Sei que vai parecer loucura, uma paranóia completa, mas depois que eu explicar tudo vocês vão entender. Muitas vezes a gente acaba tomando determinadas atitudes movidas à emoção, desespero. Foi mais ou menos por isso que a história chegou a esse ponto.
Não sei precisar o dia exato em que tudo começou, o que posso dizer é que já faz muito tempo que isso vinha acontecendo. Todo dia quando saía de casa apressando, aquela mesma cena se repetia. Deixe eu explicar melhor para que vocês entendam. Como não tenho carro, sou mais um dos milhares de curitibanos que dependem do transporte público. Os ônibus fazem parte da minha rotina diária, todo santo dia posso ser encontrado dentro de um deles. Mas o meu coletivo não é o único a parar no meu ponto de ônibus, na verdade outro muito parecido com o meu também recebe passageiros no mesmo local. E foi nessa pequena confusão que os problemas começaram.
Um mesmo ponto de ônibus onde param outros dois, até aí nada demais, parece tudo normal. Mas um estranho fenômeno passou a se repetir desde então: sempre quando eu estou atrasado, é o outro ônibus que chega primeiro. Nada demais, é o que as pessoas acham, na verdade eu também pensava assim no começo. No dia seguinte a mesma coisa, eu saia correndo quando via o ônibus descendo a rua e quando chegava nunca era o meu, era sempre o outro.
Lei de Murphy, o que sempre dizem depois que conto o ocorrido, todos achavam graça no conto. Até eu achava aquilo um pouco hilário, como o universo conspirando para os meus atrasos. Aquilo já estava se tornando uma história engraçada, uma prova concreta da Lei de Murphy, boa de se contar numa roda de amigos. Mas aquilo foi só no início.
Risadas à parte, no dia seguinte a mesma cena recomeçava: eu me descabelava correndo, mas o ônibus que vinha era sempre o outro. Depois de um tempo, desisti de sair de casa naquele horário, me acostumei a adiantar uns minutos ou atrasar a minha saída alguns instantes, tudo para fugir do horário do coletivo impostor. Mesmo usando essa nova tática, o resultado final continuava decepcionante. Sempre que eu chegava perto do ponto, via o ônibus descendo a rua em alta velocidade. Assustado, sempre apanhava o dinheiro da passagem com as mãos trêmulas de pressa e saía em disparada. Quando chegava todo ofegante, o mesmo desfecho: nunca era o meu ônibus, era sempre o porcaria do outro.
Aquilo tudo já não tinha mais graça nenhuma, parecia um tipo de brincadeira de mau gosto. Não sabia ao certo como explicar, mas de alguma maneira o desgraçado do motorista devia saber o momento em que eu saia de casa. Ele devia me esperando sair, só então acelerava fingindo ser o meu ônibus. Apesar de parecer uma teoria maluca, não era uma coisa tão impossível de se fazer. Talvez alguém avisasse o momento em que eu saísse do meu prédio, rapidamente essa pessoa comunicava o motorista que saberia o momento de chegar. Dessa forma, não foi difícil descobrir que o porteiro era a peça que faltava, um comparsa nessa trama sinistra.
A partir daquele dia parei de cumprimentar o porteiro.
— Bom dia, senhor.
— Bom dia o quê? – passei a rebater. – Quer saber se vou sair de casa, se vou pegar o ônibus?
Apesar de parte do mistério ter sido desvendado, o problema ainda persistia, o diabo do outro ônibus insistia em chegar primeiro. Resolvi, então, sair do prédio pela garagem, longe dos olhos de um dedo-duro na portaria. Quando imaginei ter dado um fim nessa conspiração perversa, corri com a esperança de ser o meu ônibus. Esperança que acabou logo em seguida, novamente o ônibus impostor é quem pára.
Naquele momento nem sei ao certo o que foi que passou na minha cabeça, estava completamente contrariado, sem saber no que pensar. Quando o ônibus errado fechou a porta para seguir, fiz sinal para o motorista pedindo para entrar. Nem me pergunte por que fiz isso, tomei essa atitude no impulso. Ele se surpreendeu e prontamente abriu a porta com um sorriso no canto da boca. Quando entrei, todos pareceram silenciar ao me ver. Andei até o fundo onde me sentei na janela, tudo sob os olhares atentos dos passageiros. Depois de uns instantes, ouvi alguns cochichos sobre “um novo passageiro”. Risadas incontidas puderam ser ouvidas, mas rapidamente abafadas.
Não sei se fiz a coisa certa, mas tenho a impressão que vou chegar atrasado hoje.
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terça-feira, abril 20, 2004
Posted
9:01 AM
by André Melo
Medo de ser mal interpretado
Não sei bem como contar, mas de uns tempos pra cá reparei que estou sendo confundindo com outra pessoa. Confundido, você sabe, quando acham que você é uma pessoa quando na verdade é outra. É isso que vem acontecendo comigo, venho sendo confundido. Até aí tudo bem, mas essa história vem gerando uma situação um tanto quanto engraçada que acho que vale a pena contar.
Quando ando pelos corredores da universidade, sempre encontro amigos e conhecidos, afinal de contas, já faz uns cinco anos que sou figura constante naquele lugar. Dessa forma, basta um passeio rápido para que “como vai?” e “tudo bem, e você?” sejam distribuídos várias vezes, faz parte da rotina. Embora o contanto com essas pessoas já possa ter sido deixado de lado há algum tempo, não seria muito difícil recordar de onde conheço cada um. E foi assim, recordando de cada um, que comecei a estranhar uma pessoa.
Bastava cruzar no corredor com essa pessoa que ela sempre me cumprimentava. Nada mais cortês, cumprimentar um amigo. Mas aí é que estava o mais estranho, eu não conhecia o cara. Não conhecia e ele me cumprimentava como se fosse um amigo de longa data. No começo estranhava e pensava que era com outro que ele estava falando, que nada, era comigo mesmo. Bom, sendo assim, também passei a cumprimentá-lo.
— E aí? – perguntou ao cruzarmos no corredor.
— Beleza! – respondi rapidamente.
Cumprimentava porque achava que seria uma tremenda antipatia perguntar “Eu conheço você?”. Além do mais, se estivesse andando pelo centro da cidade e alguém passasse de carro me soltando um baita xingamento, devolveria outro palavrão na lata, independente de quem fosse. Arco-reflexo, entende? Se me xingasse, eu também xingava. Se me cumprimentasse, eu também cumprimentava.
— Quer dizer então que se ele desse uma piscadinha você também piscava? – me interrogou um colega cheio de malícia.
— Como é?
— Você tá dizendo que se te cumprimentasse você cumprimentava, se te xingasse você xingava. Bom, então quer dizer que se ele te mandasse um beijinho você também...
— Pode parar, pode parar – interrompi a conversa que já desandava pro outro lado. – Não misture polidez com “boiolez”.
— Eu se fosse você ficaria bem atento com esse cara – decretou por fim.
Aquela situação estava ficando cada vez mais estranha e eu não sabia mais como agir. Por mais besteiras que o meu colega tenha dito, acabei ficando com a pulga atrás da orelha. Essa história do cara ficar me cumprimentando sempre que me via estava muito mal explicada. Numa dessas, eu, em vez de ajudar, só estava piorando ainda mais, devolvendo o cumprimento posso acabar sendo mal interpretado. Complicado, muito complicado.
Passei a andar o mais discretamente possível, evitando ao máximo ficar de bobeira, parado nos corredores da universidade, pelo menos até que tudo se esclarecesse. Ao mesmo tempo, tentava lembrar onde diabos eu poderia conhecer o figura, esforço todo em vão.
Certo dia, porém, estava me dirigindo a cantina quando o movimento de um casal namorando no banco me chamou a atenção. Quando chego mais perto, para a minha alegria, constatei se tratar do tal camarada que me cumprimenta nos corredores. De tão aliviado que fiquei, fiz questão de tomar a iniciativa do cumprimento.
— E aí, beleza?
— Beleza – respondeu rapidamente.
Conversa terminada, segui em frente livre de qualquer preocupação sobre esse assunto. Ufa, bom poder voltar a agir normalmente sem medo de ser mal interpretado. Da próxima vez que me cumprimentar, eu cumprimento. Do mesmo jeito, se me xingar eu também xingava...
Bastou eu sumir daquele corredor para que o casal retomasse a conversa.
— Quem é esse cara? – perguntou a moça.
— Esse aí? Ahn sim, falei dele pra você. É aquele cara que quando encontro sempre me cumprimenta e que eu nunca vi mais gordo!
— Você nem conhece e ele sempre te cumprimenta? Poxa, meu bem, eu se fosse você ficaria bem atento com esse cara...
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domingo, abril 18, 2004
Posted
1:13 AM
by André Melo
Quebrando alguns dogmas
Andrezinho conhece um pouco do cinema japonês
Nunca tinha ido vez uma filme japonês no cinema. Não que fosse preconceito ao algo do tipo, nunca tive a chance mesmo. Além disse, filme japonês nunca passou no cinema, esse sim era um bom motivo. Mas aquilo não podia ficar assim.
Pra variar, só podia ser em um dos cinemas da fundação para passar um filme desses. Japonês, como vocês podem imaginar. Imediatamente uma imagem veio a minha cabeça. Tudo bem que não era o tipo de filme que passa nos cinemas da prefeitura, mas não me espantaria se me deparasse com um monstro no meio da história.

O filme não tinha muito a ver com monstro, na verdade não tinha nada a ver. Chamava-se "Depois da vida", e é ótimo para apagar a imagem dos monstros gigantes que atacavam Tóquio com muita frequência há tempos atrás. Gostaria de falar mais dele, mas tenho medo de acabar falando muito e estragar a graça desse grande filme.
Mas sabe de uma coisa, que se dane. Sei que vocês não vão ver mesmo! As pessoas que morrem precisam guardar alguma lembrança boa da vida e aí que atuam os protagistas, ajudando as pessoas que morreram a lembrar e reconstituir o melhor momento da vida. A morte é um tema tão visitado e é espantoso de que ainda consigam pensar em algo origanal sobre ela. Grande, grande filme.
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terça-feira, abril 13, 2004
Posted
4:16 AM
by André Melo
A Dama do Lotação
— Porcaria... – resmungou o senhor vendo o ônibus já chegando lotado no ponto. – Tá tão cheio que nem precisa se segurar! – tenta puxar conversa com o moço ao lado.
Aquela cena se repetia todo dia, pegar o coletivo na hora do almoço era sempre assim: passageiros se acotovelando e gente reclamando. Como vocês podem ver, esse era mais um dia na rotina da cidade, segunda, terça ou quarta-feira, tanto faz quando era. Na feição das pessoas também parecia ser um dia normal, cara de “o que será que vou comer no almoço?”, nada muito diferente dos pensamentos do meio-dia. Para a maioria, aquele era mais um dia qualquer.
Para a maioria, mas não para todos. Para o seu Fagundes aquele seria um dia especial, ele nem conseguia esconder o sorriso no canto da boca. Pagou o cobrador sem ligar pros dez centavos do troco, foi logo se encaminhando para a parte traseira do ônibus. Isso se conseguisse chegar, pois na sua frente havia umas quinhentas pessoas. Mas ele nem ligava, na sua cabeça apenas uma frase martelava: “Quero ver a Dama do Lotação!”.
O seu Fagundes não é nenhum tarado ou coisa do gênero, que isso fique bem claro. Ele era um sujeito normal, mais um na multidão, como eu e você. Apesar de não ter ido muito longe nos estudos, tinha uma situação estável no campo profissional, era funcionário público. Não ganhava uma barbaridade, o governo não anda muito generoso com eles, mesmo assim conseguia juntar o seu dinheirinho, comer peru no Natal e comprar o seu carrinho no fim do ano.
Dentro do ônibus estava um calor desgraçado, esse outono prometia ser um fiasco. Mesmo com todas janelas escancaradas, o suor brotava nas camisas enquanto o sinaleiro não abria. Os rapazes se desabotoavam, enquanto as mulheres se abanavam em trajes curtos. Mas nem isso parecia distrair o Fagundes, há muito tempo que ele só tinha olhos para a Dama do Lotação.
Ano retrasado, seu Fagundes comprou um Voyage 87 com a segunda parcela do 13o. Ele, assim como os outros donos de Voyage 87, também andava de ônibus. Estava sempre faltando uma peça no carro, às vezes o gigle, outras a ventoinha... Quando ele finalmente achou a bendita peça, resolveu vender o carro, diz que pelo mesmo valor, mas acho que é história.
Falando em história, depois que o seu Fagundes contornou a velhinha carregando pacotes na sanfona do coletivo, ele fez o primeiro contato visual com a peça. Quando teve certeza, esboçou um largo sorriso, daqueles raros de se ver dentro do ônibus na hora do rush. Enquanto pedia licença para passar, pensava em todas jogadas, todos os movimentos para conquistar da Dama do Lotação.
— Vai ser, hoje! – murmurou ao finalmente chegar.
O ônibus parecia finalmente abandonava as ruas congestionadas do centro da cidade, a paisagem começou a ganhar contornos residências à medida que os passageiros iam descendo. Sentando no fundo do ônibus, ele estava compenetrado naquele desafio. Naquelas horas, não adianta ficar falando demais – pensou Fagundes - apenas o essencial, não ia ser tagarelando que conseguiria a conquista.
Esse é o tipo de coisa que um homem só aprende com o tempo, a experiência que ensina. Quando era jovem, ele se empolgava demais e desandava a falar pelos cotovelos. Não que fosse ruim, ele até levava jeito, mas quase sempre deixava passar aquelas chances que só aparecem uma vez. Como é só errando que se aprende, ele teve que passar por tudo isso. Agora, porém, ia ser diferente.
— Sou eu agora? – perguntou em dúvida.
Quando ouviu a resposta, esticou a mão lentamente e com todo delicadeza pôs o dedo em cima dela.
— Preste atenção agora – disse calmamente.
Com um movimento brusco de dedos, rapidamente apanhou a dama e comeu as duas peças pretas que faltavam para o jogo. Ele conseguiu, finalmente venceu uma partida de damas da senhora Araújo, uma velhinha de 72 anos que sempre vencia os campeonatos do bairro. Tudo bem que ela estava não estava se sentindo bem em jogar dentro do ônibus em movimento, mas isso pouco importava. O seu Fagundes agora iria ostentar o título por um bom tempo, pelo menos até outra partida de Dama do Lotação.
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terça-feira, abril 06, 2004
Posted
6:14 AM
by André Melo
A história da mulher que mata o marido
Em meio a um cochilo inofensivo, ele desperta aterrorizado com um estrondo e som de cacos de vidro. “Você não pode fazer isso comigo!”, é o grito desesperado que ecoa. Provavelmente mais um dos ataques histéricos da Miriam, que tinha acabado de destruir o vasinho de plantas contra a parede da sala. Ricardo procura se refazer do susto tentando entender que diabos foi dessa vez, “Qual será a próxima dessa louca?”. Quando conseguiu se achar, preferiu continuar no sofá. Esse tinha sido mais um daqueles dias estressantes na firma, mais uma vez ele acabou dormindo em frente a TV.
“Eu sempre me dediquei tanto pra cuidar de você e o que ganho em troca?”, ela continua. Ele nem dava mais ouvidos, não era a primeira vez que aquilo tudo se passava, se levantou aos poucos e começou a se trocar. Sem muita pressa, pegou um cabide do armário e pôs o terno com cuidado para não amassar, aquela também seria sua roupa no dia seguinte. “Olhe para mim! Olhe para mim pelo menos quando eu falo com você!”, exigiu com voz carregada.
A Miriam só podia ter bebido, ele pensou. Desde o início ele sacou que os surtos neuróticos são sempre motivados por cachaça, pelo menos com ela sempre foi das outras vezes. Mas aquilo já estava se tornando repetitivo demais, era só ele chegar em casa e tentar relaxar vendo TV que ela sempre aprontava uma ceninha. “Qual foi o motivo dessa vez?”.
“Eu vi. Eu vi tudo. Vi tudo com meus próprios olhos!”, disse vitoriosa apontando com os dedos na vista. Ele continuava indiferente, colocando o pijama sem demonstrar qualquer reação. “Você e ela, juntos andando de mãos dadas!”, Miriam voltou a acusar. “Como um casalzinho de namorados”, disse toda sarcástica. Com a roupa de trabalho no cabide, ele cruzou até a área de serviço sem dar ouvidos ao escândalo, estava ocupado com outros afazeres. “Não adianta fingir que nada aconteceu, eu estava lá!”.
“Droga!”, ele gritou da cozinha. “Esqueci de novo!”, disse se referindo ao café solúvel que não trouxe do mercado. Saiu da cozinha enervado e deu de cara com Miriam, que se estrebuchava de chorar com as mãos no rosto. “O que foi agora? Ainda essa história?”, falou sem paciência.
“Bem que mamãe me avisou, disse que você não era homem pra mim”, falou enxugando as lágrimas. “Eu não acredito que de novo essa história!”, disse Ricardo em resposta. “Pena que quando a gente é jovem nunca dá ouvidos aos conselhos dos pais”, ela falava num tom mais calmo. Ele olhava pro lado só pensando em acabar com aquela cena horrível. “Se ao menos soubesse onde eu fui guardar...”, pensou se arrependendo.
“Mas a gente não pode voltar no tempo, não é mesmo?”, Miriam disse se levantando despenteada. “Agora está na hora de tentar consertar o estrago de um casamento equivocado”. Ricardo só conseguia vasculhar em baixo das almofadas e tudo que estivesse por perto, ele tinha que dar um fim naquele bla-bla-bla. “E para consertar não adianta pedir desculpas ou apertar as mãos”, ela continuou. “O único jeito de acabar com esse mal-estar é assim”, ela disse tirando uma pistola automática da bolsa.
Aquilo já tinha passado dos limites, Ricardo não podia agüentar mais aquela situação. Ele nem pareceu notar que Miriam estava armada, continuava vasculhando freneticamente o sofá, as almofadas e tudo ao redor. Ele tinha que se defender de alguma forma.
“Primeiramente, só quero que pegue de volta isso aqui”, disse Miriam tirando a aliança de casamento. “Não me pertence mais”, falou jogando para o marido encurralado. O anel apareceu quicando lentamente sobre o chão de madeira, enquanto ela apontava a arma bem no rosto do marido. Nesse exato instante, Ricardo encontrou o que estava procurando, esquecido bem na fresta entre o sofá e a cômoda. Nessa hora, ele olhou para Miriam que estava empunhando a arma com as duas mãos e puxando o gatilho fazendo mira. Ele, por sua vez, apontou o controle remoto com o mesmo cuidado.
Se me perguntar qual deles atirou primeiro não saberia te responder, os dois devem ter disparado no mesmo instante. No terceiro pulo do anel, Miriam esvaziou o cartucho da pistola no coitado do marido que morreu na hora. Ricardo, por sua vez, apertou rapidamente o botão ON/OFF do controle remoto e desligou a televisão antes do som do primeiro disparo de Miriam. Ele não agüentava mais aquela situação, era a oitava vez na semana que passava aquele filme com a história da mulher que mata o marido. É incrível como eles gostam de ficar reprisando o mesmo filme nessas TV a cabo. Ao todo devia ser a oitava vez que ela matava o marido, deviam proibir esses filmes.
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