o salamandra

sexta-feira, maio 30, 2003


A verdade do concurso da camiseta molhada
O outro lado da história que Clédisson viu e não se arrependeu


Completamente errada a análise do pornô-babaca sobre o XIII Concurso da Camiseta Molhada da Colônia Portuguesa. De acordo com o que ele escreveu, dá a impressão que as belezuras portuguesas não estavam presentes. Pura frescura, besteira. É verdade que elas tinham um pouquinho de buço (em cima e embaixo), mas nada que pudesse ofuscar sua beleza peluda.

Além disso, é bom lembrar que nesse tipo de concurso de camiseta molhado a beleza é o que menos importa. O que vale mesmo é o talento. Talentos, no plural, porque na verdade são dois...


No final, a vencedora foi Maria Teresa Gonçalves Dias Pinto, mais conhecidas como a pequena Gonzaguinha. Depois do resultado, as pessoas invadiram o palco para abraçar as beldades presentes. Para não ficar pra trás, eu também invadi e pude sentir nas minhas próprias mãos aquelas duas coisas enormes e suculentas!



Outro pornô-proposta
Atanagildo Parintins, o pornô-poeta do Salamandra


A repercussão de um dos meus pornô-poemas foi tão grande que diversos e-mails tenho recebido com elogios de todo tipo. Além disso, não há como negar que o público que acompanha esse blog dobrou de número por minha causa. Foi um desses leitores amantes dos pornô-poemas que me fez uma proposta interessante, me convidou para o XIII Concurso da Camiseta Molhada da Colônia Portuguesa.

Não há como negar que fiquei maravilhado com a proposta, cheguei até a comprar um modelito apropriado para esse tipo de evento.

Porém, quando recebi o material de divulgação desanimei bastante. Não que houvesse problema com a mangueira que ia molhar as candidatas, ou então a camiseta muito escura que dariam às candidatas. O problema era as candidatas.


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terça-feira, maio 27, 2003


Vá pra p.q.p.!


— Para onde você vai? Você quer saber pra onde eu quero que você vá? – disse se levantando da cadeira. – Vá pra ponte que partiu! – encerrou a conversa dando uma cacetada no telefone.

As secretárias, que não são bobas nem nada, notaram logo que o seu Toninho não estava pra brincadeiras, deve ter acordado com a macaca. A experiência mostrava que o mais experto seria evitá-lo a todo custo, isto é, juntando umas pastas quaisquer e passando a tarde toda tirando cópias. Para que ainda não sabiam, mas não seria por falta de cópias que deixaria algo importante por fazer. A dona Carmem, coitada, essa não teve tempo de correr até a copiadora, sua presença já estava sendo requisitada na sala do chefe.

— Sim, Toninh... senhor Oliveira – era assim que era aconselhável chamá-lo quando estava mal humorado.

— Dona Carmem, ligue para o Ernesto. Depois ponha na linha o Agemiro, aquele engenheiro.

— É pra já, senhor – bateu continência e se virou tentando aparentar eficiência. Depois de tanto tempo na firma, ela sabia que quando o Toninho acordava com a macaca não perdoava ninguém que ficasse de bobeira.

Foi só sair da sala do patrão, dona Carmem deu uma sonora baforada de alívio. Lá dentro o clima estava pesado, pensou, por ela até acendia um incenso. É claro que não era louca de fazer isso de novo, só uma vez bastou para ela tirar aquela idéia da cabeça. “Começou a fumar maconha, dona Carmem?”, foi o que ele disse quando ela acendeu um incenso com aroma de sândalo em pleno expediente. Virou a piada da firma por um bom tempo, todo mundo tirava um sarrinho. Menos o boy que se interessou bastante por incensos de uma hora pra outra.

— Alô, Ernesto? Aqui é Carmem, tudo bem? O Toninho quer falar com você agora, pode ser? Que bom... mas preste atenção, eu se fosse você tomava cuidado, ele está naqueles dias. Parece que acordou com a macaca!

Ligação feita e caso encerrado, não se fala mais nisso. Todo mundo tem um dia ruim, não é? O patrão também podia ter. Ela não era de ficar escutando a conversa dos outros na linha, porém, o tom do diálogo estava tão animado que ela não tinha muita opção. De longe as grosserias ecoavam.

— E você vá pra ponte que partiu! Entendeu ou quer que repita? Ponte que partiu! – gritou de novo antes de bater o telefone.

Do outro lado, dona Carmem só cochichava em silêncio: “Virgem Maria!”.

— Dona Carmem, cadê o Agemiro? Ponha logo o Agemiro na linha!

“Sim, senhor. Sim, senhor” – ela repetia baixinho enquanto teclava os últimos números do celular do Agemiro. O telefone tocou duas ou três vezes quando ele atendeu.

— Agemiro, seu Toninho quer falar com você. Mas vou logo avisando, hoje ele acordou com a macaca!

Não custava pra ela avisar, vai que numa dessa ele começava com grosserias de novo? Quem não conhece o Toninho até se assusta, nem parece o mesmo do dia dos namorados. Vivia comprando buquê de flores pra namorada, isso antes de brigarem. Agora cada dia ele acorda com uma diferente.

—... por isso, Agemiro, eu queria que você desse uma olhadinha pra mim. Sim, lá mesmo, lá na ponte que partiu! – desligou repetindo a cena.

A rotina na firma era monótona, pensou dona Carmem, não era assim que pensava quando começou, há sei lá quanto tempo. Mas trabalhar em empreiteira é assim mesmo, um dia é viaduto que cai e no outro é ponte que partiu. O que mais eu estava esperando?

— Dona Carmem, venha aqui por gentileza – ordenou o patrão de sua sala. – Ligue pro fornecedor de tinta e diga que vamos refazer o serviço porque a ponte partiu.

— Tudo bem, mais alguma coisa?

— Só mais uma coisinha, dona Carmem – pediu todo encabulado – compre uma cesta de café da manhã e mande para a minha casa. Estou saindo com uma pessoa...

— Cesta de café de manhã – repetiu anotando tudo – é pra já!

— Só um pouquinho, só um pouquinho, dona Carmem. Em vez de café da manhã, prepare uma cesta só com bananas, ok?


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sábado, maio 24, 2003


Matrix diferente
experiência do André Melo

Completamente tomando por essa onda de Matrix 2, queria ir logo na estréia só para não perder tempo. Para minha decepção, visitando os cinemas descobri que todos os ingressos da estréia, pré-estréia e pos-estréia já estava todos esgotados. Triste e desanimado, estava quase desistindo da idéia de ver o filme do ano quando andava pela cidade atordoado. De repente, passava por uma ruazinha estreita e sem saída do centro, me chama a atenção um cartaz de cinema. Não pude acreditar, era Matrix que estava sendo exibido em uma salinha perdida naquele lugar!

Entrei no local pagando muito menos do que se paga geralmente, não pude acreditar tamanha foi a minha sorte. Assistir o filme mais badalado do momento pagando uma mixaria, era bom demais para ser verdade. Quando começou o filme, esperava no letreiro os nomes que marcaram o primeiro episódio, porém não foram eles que apareceram. Um bando de desconhecidos com nomes tipo "Alfredo Arthur Pinto Filho" ou "João do Bacanhau", esse foi minha primeira surpresa naquela noite.

Começou o filme e respirei aliviado, realmente era a história de Matrix. O protagonista me pareceu um pouco mudado, mas tudo bem. Não sabia que Keanu Reeves tinha perdido cabelo. A história seguiu e comecei a notar algumas coisas estranhas, desde cenários até as falas. Poxa, tá certo que a segunda parte dos filmes nunca chega aos pés da primeira, mas isso era demais!

A coisa chegou ao máximo quando mostrou o personagem Neo passando Óleo de Peroba na careca, daí foi demais, bati o pé e sai na mesma hora. Só daí notei que a salinha de cinema que estava completamente vazia. Antes de sair pra rua, o sujeito careca que me vendeu o ingresso me agarrou no braço e perguntou:

— Que foi, não gostou?

Aquele rosto me pareceu familiar. Na mesma hora olhei para o cartaz e matei a charada.

Eles eram a mesma pessoa!


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terça-feira, maio 20, 2003


Historinha absurda


Quase todo dia minha mãe chega em casa com uma história nova. Nova e engraçada. Seja algo que viu na rua ou coisas que andou lendo por aí, pouco importa, geralmente suas observações sempre me interessaram e divertem bastante.

— Devia ver o livro que li dias atrás! – diz sem conter o entusiasmo.

Normalmente ela não se interessa tanto por temas tradicionais, tipo questões humanas ou problemas terrenos, o que prefere mesmo são assuntos mais fantásticas.

— Era sobre o chupa-cabras!

Dentre todas aquelas baboseiras lunáticas, ela sempre encontra uma que tenha uma explicação “científica” (por mais furada que seja).

— As ovelhas foram encontradas sequinhas da silva, todas ocas, e completamente sem sangue! Os cientistas quando examinaram não souberam explicar como aquilo poderia ter acontecido, só disseram que não pode ter sido nenhum animal conhecido.

Não é difícil descobrir qual tipo de histórias que ela mais gosta, basta procurar as mais absurdas possíveis. “Mecânico mata mulher com golpes de chave inglesa”, por exemplo, para ela não teria a menor graça. “Mulher mata mecânico com golpes de chave inglesa”, quem sabe fosse um pouquinho interessante. Por outro lado, para ela tinha que ser algo do tipo “Mulher inglesa dá golpe em mecânico com chá matte”.

— E muito dos ataques do bicho foi bem aqui no Paraná, próximo da região metropolitana!

É claro que ela não leva essas histórias muito a sério. Não quero que pensem que ela é meio louca ou não bate bem, basta conhecer seus filhos para notar que a família toda é normal. Porém, tem horas que a insistência das brincadeiras começam perder graça, é nessa hora que é preferível parar a conversa.

— Um livro que vi na Biblioteca Pública falava de um assunto muito esquisito. Era sobre uns ETs que vivem aqui na Terra.

— ETs? Faça-me o favor... – tentei encerrar o assunto mostrando meu desinteresse.

— É sério, uns ETs que vivem na terra sem ninguém perceber! Eles não tem onde ficar e vieram pra cá...

— Peraí, você tem certeza que era ET? Isso tá parecendo mais MST!

— Claro que não, eles são ETs! O livro dá até a localização do planeta que vieram.

— Sim, “siga até Vênus, dobre à direita no anel de Saturno e vire na Ursa Maior” – debochei segurando uma laranja.

— É verdade, no livro diz como se chega no planeta, parece que é mais longe que Plutão!

Tlanto asslim?

— Estou até com vontade de pegar o livro, tem cada teoria interessante. Segundo os ETs, a televisão é um instrumento de alienação.

— “Alienação”? Mais alienado que esses livros a televisão não pode ser. Onde já se viu a Terra invadida pelos ETs de Plutão... você não vai acreditar nessa história maluca, né? – desabafei apertando a laranja e cansado dessas idéias sem pé nem cabeça.

— Acreditar ou não acreditar, ainda não sei. Depois que ler o livro vou poder dizer o que acho. Antes disso não.

— Então vai mesmo pegar o livro dos ETs plutonianos? – segurava a laranja e fazia minha última tentativa.

— Sim – ela respondeu simplesmente antes de sair porta a fora.

Fazer o quê? Tem louco pra tudo. Se tem gente que escreve é porque deve ter gente que lê. “ETs plutonianos”, onde se viu? Pela janela vi os passos de mamãe se afastarem cada vez mais, novamente eu estava sozinho em casa. Nesse momento peguei a laranja do bolso, puxei a antena de dentro e fui logo comunicando.

— Alô, Zwing? Está me ouvindo, Zwing? Preste atenção, descobriram tudo. Prepare a nave que imediatamente iremos partir. Pra onde? Pra casa, ora bolas, bem longe da Terra! Sim, prepare tudo, não vejo a hora de partir!

Antes que abaixasse a antena e terminasse a conversa me lembrei do mais importante.

— Zwing! Você ainda está me ouvindo? Que bom. Por favor não se esqueça de pegar umas ovelhinhas, tem muito chão até Plutão.


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Militante de boas causas
Clédisson Craveira mostra seu engajamento

Ando chateado ultimamente, muito tenho sido criticado. Não que isso me afete, na verdade nunca liguei muito para críticas. Quando elas aparecem eu descubro quem foi o palhaço que tá cutucando a onça com vara curta e arrebento o cidadão. Mas como ia dizendo, ando chateado com as críticas. Elas dizem que sou machista e alienado, uma puta mentira. Para mostrar que também sou um cara que se importa com coisas séries, resolvi abraçar (por trás) uma campanha muito importante.

Entendeu tribufu? Vê se toma vergonha nessa cara!


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domingo, maio 18, 2003


PORNÔ-POEMA
Pornô-poeta Atanagildo finalmente solta o verbo

Recebo diariamente centenas de e-mail de pessoas insatisfeitas pelo fato de não haver qualquer pornô-poema meu. Devido o alto índice de insistência, vou confidenciar uma coisa: estou sendo vítima de censura.

Só porque esse blog foi criado pelo André Melo ele se acha no direito de impor regras, entre elas a de não colocar palavras sujas. Aceitei e escrevi um pornô-poema somente com genitais lavados e esfregados, porém nem assim ele aceitou.

Ele então me fez a proposta de me deixar escrever livremente, o único problema é que ele trocaria as palavras “inapropriadas” por um asterisco ou algo parecido (*, @, #...). Como não tive outra alternativa aceitei assim mesmo. Então lá vai, se deliciem com o pornô-poema chamado:
A * da minha vizinha

quando vi a * da minha vizinha
não acreditei no que meus olhos enxergavam
nunca tinha visto uma * como aquele
linda pra *, uma beleza de *

*, *, isso que chamo de *
* que por sinal rima com #
deviam por uma plaqueta na porta
dizendo que havia uma #

quem me dera trazer a * pra cá
guardaria junto com a #
já que se parece tanto com a outra @ daqui

era abrir a gaveta e só ver coisas bonitas
uma *, outra # e aquela @
lindo, né? Só falta um &...


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terça-feira, maio 13, 2003


Atendendo o público
Atanagildo Parintins respondendo ao apelo

Desde minha última mensagem com a foto da pequena criança, milhares de e-mails tenho recebido com pessoas pedindo "pelo amor de Deus" para ver uma foto dos pais. Bom, por enquanto dos pais eu não consegui, mas uma do tio da criança eu arranjei.

Então agora podem se deslumbrar e reparar na semelhança que ele tem com o bebê (é bastante sutil).

A Genética é um troço impressionante!

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O tipo perfeito de mulher

Comendo um pastel de carne no centro da cidade, olho para a rua pensando na vida. Na vida do pobre cachorro que virou o pastel. Antes que terminasse o banquete, uma cena me chama a atenção. Não era uma nem duas, sim várias mulheres arrumadas que desciam de um predinho comercial. Junto com elas, um figurão sai do prédio, todo faceiro. Despede-se delas com beijinhos na bochechas, tudo isso enquanto cartõezinhos são entregues de lá pra cá. As moças vão embora e o figurão fica só. Até aí tudo bem, voltei a pensar na vida e no pastel até que um gesto do homem do outro lado da rua me soou familiar. Ele inclinava a cabeça para olhar melhor as partes baixas das mulheres, tudo como manda o regimento dos cafajestes. Peraí, esse cara eu conheço, pode estar todo arrumado mas ainda assim é Clédisson Craveira!

Nem tinha terminado o pastel quando atravessei a rua para falar com ele.
— Clédisson, que elegância toda é essa?
— Clédisson não, agora é comandante Craveira – ele disse botando o chapéu de piloto. Só naquele momento percebi que estava todo trajado de comandante, que nem esses que pilotam para as grandes companhias.


— Poxa, uma coisa tenho que concordar, você está pura elegância – disse dando uma analisada de perto – cabelo penteado, barba bem feita, aposto que até tomou banho!
— Ah, ah, ah – imitou uma risada forçada – isso não tem a menor graça. Você pode até achar engraçado, mas olhe só quantas mulheres conheci só esta manhã!
Ele tirou do bolso um monte de cartões de visita, todos de mulheres. De curiosidade (e até interesse) comecei a lê-los. Camila, Paula, Regina, Maristela e muitas outras, só de Ana tinham três, e todas aeromoças.

— Espere um pouco, agora estou começando a entender. Essas aeromoças, você vestido de piloto...
— Flertes de trabalho, essas coisas acontecem.
— Mas Clédisson, você não pilota nem carrinho de supermercado! Já pensou quando elas descobrirem que você não é piloto?
— Sem problemas. Essa daqui, por exemplo – sorteou o cartão de uma delas – Bianca: ela é loira mas já descobri que é tingido. Me pergunte se mudou alguma coisa?

Depois dessa justificativa furada, o Clédisson me explicou sua descoberta sobre o tipo perfeito de mulher: uma aeromoça.
— Um tempo atrás você disse que eram as enfermeiras!
— Certo, falei mesmo. Mas isso foi antes de namorar uma delas. Ela era muito legal, muito carinhosa, o problema era que só conseguia chamar a atenção dela quando eu ficava doente ou me quebrava inteiro. Teve uma vez que tive que quebrar a clavícula e três costelas pra ela vir!

— O quê? Você teve coragem de se quebrar inteiro só para ela vir??
— Eu me quebrar? Claro que não. Coitado foi do porteiro do meu prédio, foi ele que rolou escada a baixo...
— E esse negócio de aeromoça?
— Eu percebi que a aeromoça é o tipo de mulher que falta na minha vida. Por isso eu vim desfilar de comandante aqui nesse curso preparatório de aeromoças só para fazer alguns contatos.

— Mas por que aeromoça?
— Veja só. Já pensou numa mulher que para vir é só apertar um botão? Ela chega sempre impecável, com aquela saia e um sorriso no rosto. “Quer beber alguma coisa? Uma água, um refrigerante, um suco ou talvez um whisky?”. Comida ela sempre traz também. Se estiver desconfortável ela vem com um travesseiro.
— Clédisson, não se esqueça que elas são mulheres normais. Vai ter que fazer programas normais, tipo visitar a casa do sogro e comer a comidinha da sogra.

— “Nesta aeronave existem quatro saídas de emergência. Uma na frente, duas nas asas e uma no fundo” “Em caso de emergência, mascaras de oxigênio cairão do teto”.
— Tá bom, tá bom, chega desse assunto. Só acho que para servir bebida, comidinha e ajeitar o travesseiro você não precisa de namorada. Você precisa é da Amélia!

— Quem?
— Amélia! Você precisa de uma Amélia!
— Amélia? Humm... Amélia... e ela é aeromoça?


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quarta-feira, maio 07, 2003


O bom humor das crianças

escrito pelo erudito Atanalgildo Parintins

Nesse último final de semana reservei todo o sábado para fazer uma visita ao meu sobrinho de alguns meses. Muitas pessoas não sabem, mas apesar de pornô-poeta também adoro crianças. Gosto tanto deles que anoto na minha agenda a data de nascimento de cada criança da vizinhança para não me esquecer delas. Quando completam 18 anos faço um pornô-poema para elas. Geralmente eles começam assim:

Completar 18 anos é uma data muito especial
Ainda mais quando compramos um cinta-liga
E damos pra vovó no Natal


Mas continuando, fui visitar meu sobrinho mas encontrei meu irmão todo atarefado. Ele estava sozinho cuidando do pequeno porque sua esposa foi pro médico. Fiquei então encarregado de cuidar do menino, comecei a brincar com o bebê. Como não entendo nada dessas criaturas lembrei-me das brincadeiras quando eu era pequeno. Imediatamente brinquei de empurra-empurra, me esquecendo que ele era pequeno demais. Resultado: caiu lá de cima e se espatifou no chão. Tentando fazer ele parar de chorar, botei meu sapato (com meia e tudo) dentro da sua boca. Por fim ele se acalmou e abriu um sorriso.



Fiquei feliz por calar o moleque. Horas depois fui alimentar e ela continuava sorrindo.


Nunca pensei que fosse tão bom com crianças, pensei em mudar para "pornô-poeta e baby-siter". Nunca tinha visto um bebê tão sorridente.



Depois, quando já era noite, resolvi por a criança para dormir. Fui no berço e olhei a criança que estava igual.



Somente no dia seguinte que fiquei sabendo de tudo. O moleque tinha deslocado o maxilar na queda, por isso não conseguia fechar a boca. Quando souberam, meu irmão e sua esposa queriam me matar. Sacanagem, por pior que tenha sido, nunca fiz uma criança tão feliz em minha vida!


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segunda-feira, maio 05, 2003


Mais um xeque-mate bem dado



— Não fique assim, Marco, nem todo mundo nasceu pra jogar xadrez... – treinava como consolá-lo depois do jogo – Perder não significa ser um inválido, que não serve pra nada. Você ainda pode doar os órgãos... tem também os sapatos!

Estava eu na frente do espelho exercitando as últimas palavras depois do jogo de xadrez que o professor marcou para hoje. Por pura insistência dele, é verdade. Quando soube que também jogava não parou de me chamar para uma disputa. Cada vez que eu recusava um convite ele ficava louco da vida. Dessa vez tinha marcado para a quarta-feira, um dia horrível para essas coisas. Nesse dia a gente não funciona bem, pois carrega o stress da terça-feira, sendo que a terça é quase improdutiva porque na segunda acordamos tarde quando fazemos farra no domingo em vez de descansar do sábado. Pra piorar, na sexta-feira a gente trabalha mais que o normal por causa da quinta-feira quando ficamos ocupados demais. Bem que o professor Marco podia ter escolhido qualquer outro dia da semana para jogar xadrez. Mas desse dia não iria passar, hoje ele ia perder e, ainda por cima, reconhecer a própria derrota. Com esse juramento na cabeça, entrei na sala batendo a porta.

— Já sei, já sei, aposto que desistiu de jogar com medo de perder – provocou o professor ao me ver chegando com um pequeno atraso.
— “Desistir”? Essa palavra não faz parte do meu vocabulário – falei botando ordem na casa. – Nem sei se é com “s” ou “z”!
— Mas o jogo estava marcado para 10h e agora são quase 15h!
— Tive esse pequeno imprevisto – esclareci levantando o braço direito engessado.
— Nossa! – ele exclamou notando a atadura gigantesca no braço. – Nunca vi um gesso tão estranho assim, todo folgado!

Também pudera, o gesso não era meu, tinha emprestado de um vizinho. Eu dei umas Playboys velhas e ele me cedeu o gesso que usava na perna. Não sei se a perna dele vai ficar normal, pelo menos vai poder trabalhar de sósia do Garrincha.

— Gesso folgado? Sim, porque estava inchado. O braço estava muito inchado, sabe. Tava parecendo uma perna!
— Tudo bem, vou te dar uma cadeira para apoiar o braço e jogar...
— Você não está entendendo, Marco – parti para a conversa mole propriamente dita. – Eu quebrei o braço direito, sendo assim não posso jogar xadrez.
— Como é que é? Não pode jogar?
— Não posso, você não tá entendendo? Braço direito quebrado!
— Sim, e daí? Joga com o esquerdo, ora! Isso está me parecendo mais uma desculpa sua...

“Desculpa”? Claro que não, só estava tentando evitar uma tragédia! Conhecendo o Marco como eu conheço tinha medo que cometesse alguma besteira, ainda mais se eu ganhasse a partida. Caso semelhante eu li no jornal esses dias. Um professor da universidade de Moscou ficou tão chateado de perder de um aluno que pegou as duas torres do jogo e pôs dentro do nariz. Resultado: morreu asfixiado.

— Você que é o professor e sou eu que tenho que explicar? – comecei a justificar – Se jogasse com o braço esquerdo, teria que usar o lado direito do cérebro. Você sabe que o lado direito é puramente emocional, assim eu não ia conseguir jogar! Mais provável seria me apaixonar pela rainha e fugir montando o cavalo!

— Tá bom, se é para inventar desculpas é melhor a gente jogar outra coisa, damas ou jogo da velha...
— Não, não – neguei logo, vai que ele perde e comete alguma loucura? Ataca uma dama da sociedade ou joga uma velha ladeira abaixo...
— Então par ou ímpar? Par ou ímpar você tem que jogar!!
— Não, Marco, par ou ímpar não – claro que não podia topar, vai que ele perde e faz como o russo, botando os dedos no nariz? Só nas mãos são dez! Ainda mais o Marco que, cá entre nós, é meio pancada.

— Tá bom, tá bom! Já sei que jogar xadrez ou qualquer outra coisa com você não dá, eu sempre perco. Perco meu tempo!
Viu só? Vocês ouviram isso? Eu não disse que ele ia reconhecer a derrota? Ele mesmo falou que sempre perde, não disse? Sabe como é, sou assim mesmo, quando ponho uma coisa na cabeça vou até o fim!


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domingo, maio 04, 2003


Pedido de desculpas

Devido as últimas brincadeiras feitas aos praticantes do pau de sebo, ficamos devendo desculpas ao Sindicato dos Escaladores de Pau de Sebo que nos mandou um e-mail pedido retratação de nossa parte. Tudo que podemos dizer que fizemos um simples brincadeira por desconhecer a existência desse sindicato que representa essa atividade tão importante na vida de milhões de brasileiros. Para tanto, iremos publicar parte do protesto merecido e mais um vez pedir desculpas ao Sindicato dos Escaladores de Pau de Sebo.



Foi com muita tristeza que os membros do Sindicato dos Escaladores de Pau de Sebo leu as citações e brincadeiras associadas a nossa atividade. Existindo há 28 anos, o Sindicato dos Escaladores de Pau de Sebo representa os diversos profissionais que mantém o tradicional esporte de escalar o pau de sebo ainda de pé. É importante lembrar que ele representa uma importante página do folclore regional de tradições e manifestações culturais em todo mundo. Para nós que trabalhamos cotidianamente com o pau, muito mais que um esporte, o pau de sebo pode ser visto como um estilo de vida. Um equilíbrio de animal e vegetal, fogo e água, ying e yang, homem e pau de sebo. Dessa forma, gostaríamos que o pau de sebo fosse tratado com maior seriedade pelos leitores dessa página na internet e demais veículos de comunicação.


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quinta-feira, maio 01, 2003


Mais um caso resolvido
pelo autor, Delegado Maranhão

O dia-a-dia de uma delegacia é repleto de casos interessantes e curiosos. Algumas vezes, o preparo e habilidade não é o suficiente para a resolução do crime, cabe nessas horas uma boa dose de sorte do funcionário da lei. Um desses casos eu tive nesses dias passados, quando fui chamado para atender o arrombamento de um supermercado. Os meliantes entraram no local pela noite e levaram um série de mercadorias. O que me chamou a atenção foi a quantidade de bananas levadas, o que tornava o caso bastante difícil.

Logo no começo partimos pela busca de provas, procurando cascas de bananas na região do crime. O que parecia uma tarefa bastante simples acabou se tornando difícil pelo número de tombos por causa das cascas. Perdemos logo de cara uns cinco oficiais que quebraram a perna, além disso outro policial não pôde atender o caso alegando alergia à banana. Tive, então, que atender a ocorrência quase sozinho.

Já era tarde quando desisti das pistas. Nada eu tinha conseguido ainda, portanto resolvi que iria continuar somente no dia seguinte. Foi daí que tive uma incrível jogada de sorte. Dando uma última olhada no local do crime, notei bem no cantinho algo estanho. Puxando com a mão, BINGO! era uma carteira de indentidade, justamente a do meu maior suspeito.


Chegando na delegacia, dei o caso como resolvido e produzi um mandato de prisão para o sujeito. Como não espero que se entregue tão facilmente, estou pensando em oferecer uma boa recompensa, 2 cachos de banana split.


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