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domingo, novembro 30, 2003
Posted
12:45 AM
by André Melo
Novo ataque terrorista!
Alarme dado pelo Delegado Maranhão
Brincadeirinhas a parte, vamos usar o espaço desse blogue para falar um pouco de coisa séria. Estava em casa assistindo o telejornal da Al Jazira, onde sempre passam as últimas do terrorismo, uma revelação estareceu o mundo da religião judaico-cristã ocidental.
Me refiro ao perigo do atentado terrorista que andam prometendo acometer em breve os EUA. Sabendo que as defesas norte-americanos estão em alarme, os militantes da al-quaeda estão planejando disfarces para enganar e iludir as autoridades.
Em uma foto conseguida pelos espiões americanos, o próprio Osama Bin Laden aparece treinando um terrorista disfaçado. Passando despercebido nos grandes centros urbanos, o ataque seria feito de surpresa, sem dar chance de reação. Sendo assim, preste atenção e fique atento, se observar uma cena parecida com esta, por favor, não esqueça de avisar as autoridades.
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quinta-feira, novembro 27, 2003
Posted
9:49 AM
by André Melo
Atenção para uma revelação que vai deixar qualquer um de cabelo em pé!
SALAMANDRAS SÃO ANFÍBIOS!!
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terça-feira, novembro 25, 2003
Posted
8:53 AM
by André Melo
Nos bancos da praça da vida
Usando o resto de força que me sobrava daquele dia de trabalho, abri uma frestinha na janela do ônibus. Eram umas cinco horas e o sol da tarde castigava o lado direito do coletivo, bem onde estava. Ainda bem que existem pessoas de atitude e perseverança que abriram um pouco a janela, eu.
— Olhe só aquilo, olhe! – falou uma senhora apontando com o dedo na janela.
Eram duas senhoras sentadas bem na minha frente, trocando figurinha, coisas de senhoras.
— Aonde? – perguntou a outra sem entender.
— Aqueles dois, no banco da praça! – se referindo à praça em que o ônibus estava parado.
Aliás, é claro que não estava se referindo à praça, estava falando de um casalzinho namorando lá, todo agarradinho (agarradinhos entre si, não na praça).
— Ai, meu Deus... – disse assim que notou.
— Que coisa, não?
Uma cena cotidiana, duas velhinhas cotidianas. Que será que tem na janta de hoje?
— Essa juventude de hoje perdeu o juízo, onde já se viu uma coisa dessas em plena praça?
— Na frente das outras pessoas...
Pelo jeito que a mulher falava só faltava o picador de gelo para “Instinto Selvagem”. No entanto, era só um casalzinho namorando. Não precisa nem dizer que nessa altura dos acontecimentos o ônibus todo estava de vigia. Até eu, que geralmente não sou de ficar observando a vida alheia ou reparando nesse tipo de coisa. Não, realmente não fico fazendo isso, não mesmo. Em casos extremos somente quando tem shortinho envolvido na história, fora isso nunca.
— No meu tempo não tinha nada disso! – disse outra mulher, entrando na conversa.
— Claro que não – concordou a senhora – onde já se viu namorar assim na rua?
— Eu tenho pena é da mãe dessa moça – acrescentou ainda outra, puxando as compras do supermercado pra perto para entrar de vez na conversa.
Aos poucos o grupo ia aumentando, as senhoras, que antes eram só duas, agora já chegavam a meia dúzia. E olhe que ainda havia ramificações, até alguns senhores também faziam parte da discussão, mesmo que só concordando. A tal praça tinha passado há muitos tubos atrás, mas os namoradinhos permaneciam em debate.
— É por isso que as coisas estão desse jeito.
— Ninguém mais se respeita...
— Namorado, namorada...
— Marido e esposa...
É, nisso aí até que elas estão certas, não sei se por causa dos namoricos nas praças, mas não se fazem mais casamentos como antigamente e...
— Isso aí é falta de criação, esses pais de hoje em dia não sabem criar os filhos!
— É verdade!
— Porque antigamente...
Não deixa de ser verdade, a criação tem dedo na história.
— Os pais dão liberdade total daí dá nisso: menina de 17 anos grávida.
— Aposto que aquela da praça vai seguir esse caminho!
— Ter um filho antes dos dezessete.
— E grávida de gêmeos! – não agüentei e dei a minha participação nas especulações na vida da menina, que para nós já tinha quatro filhos, um de cada pai diferente e todos batizados no alambique.
Sem muitas demoras, o ônibus chegou no terminal e a turma toda se desfez. Ainda deu para ouvir um “esse mundo tá perdido!”, que a senhora soltou de despedida. Eu saí apressado, sem notar onde foi parar cada um, outra viagem a gente se encontra. Sem que tivesse visto, as duas senhoras saíram vagarosamente do ônibus e desceram o túnel do terminal, indo parar exatamente no ponto do mesmo ônibus, só que no outro sentido. Devem ter esperado cinco ou seis minutos até que ele viesse. Aconchegadas no banco, viajaram tranqüilas até que o ônibus parou em frente a praça, a mesma de anteriormente.
— Olhe só aquilo, olhe! – disse apontando com o dedo na janela.
— Aonde?
— Aqueles dois, no banco da praça!
— Ai, meu Deus...
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domingo, novembro 23, 2003
Posted
11:31 AM
by André Melo
GALINHA MORTA! Ganhe dinheiro fácil em apostas!!
dica imperdível do André Melo

Atenção pessoal, falo agora com os rapazes que gostam de dinheiro e futebol, neste domingo irei ao jogo Paraná X Cruzeiro e vou contar pra vocês o resultado do jogo, já que ainda faltam 4h pro juiz apitar o início da partida.
Assim como eu, se vocês forem um pouquinho espertos, o mais aconselhavel a fazer o juntar todo o dinheiro que dispõe e apostar tudo no seguinte resultado:
"Paraná 4 X 1 Cruzeiro"
Pessoal, é galinha morta. Para que vocês acreditem, saibam que eu juntei toda a bolada da minha bolsa vale-transporte (R$ 150,00) e já fiz minhas apostas. No final do dia, poderei ser visto nos bares enchendo a cara de Fanta Uva e pagando uma rodada para todos.

"Mas como ele pode saber de uma coisa dessas?", vocês devem estar se pensando. É claro que não irei dizer, não são todas pessoas com um dom para isso, apenas direi. Só quero que saibam de uma coisa: "Podem confiar em mim".
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terça-feira, novembro 18, 2003
Posted
8:10 AM
by André Melo
Uma pergunta que me tirou do sério
— E aí, André, me diga uma coisa.
— Hã.
— Você já se casou?
— Se eu já me casei?
— É, você. Cê ainda não casou?
— É... não?! – foi a única coisa que consegui responder. Aquela tinha sido a primeira vez que me fizeram essa pergunta.
Isso foi há mais ou menos um mês atrás e até então jamais tinha pensado a respeito. O tema “casamento” só me surgia à cabeça quando assistia o último capítulo das novelas, mesmo assim era bem rápido, acabava com o beijo apaixonado, as solteironas rolando pelo buquê e a palavra “Fim”. Mas quando a pergunta foi para mim, confesso que até hoje não me recuperei do choque. Pensava que só faziam essa pergunta para mulheres. Entre os homens, falar em casamento era como tocar em assunto inconveniente, algo como comprimidos azuis ou doenças com exame desonroso.
É verdade que grande parte disso é só conversa, coisas que os homens falam só para dar uma de durão. Enquanto exclamam em altos brandos que não querem se casar, pensam na cor do portão da nova casa e no nome do cachorro que vão comprar assim que mudarem. Isso sem falar no que boa parte das pessoas não sabem, sobre aquela categoria de homens que sonham com uma cerimônia religiosa no altar, com direito a vestido branco e tudo. Pode parecer brincadeira, mas muitos rapazes sonham com o momento de jogar o buquê e sair nos braços do homem de seus sonhos. Contudo, esses sonhos acabam invariavelmente não se realizando, pelo menos enquanto não permitirem os casamentos gays.
Indiferente a esse assunto, devo confessar que nunca parei pra pensar que um dia eu iria casar. Fora as coisas estranhas da cerimônia, comecei a pensar de como deve ser difícil aturar a mesma pessoa todo dia, no caso uma esposa. Isso sem falar em ter que me aturar todos os dias, coisa que nem eu às vezes consigo. Por outro lado, não seria auto-piedoso ao ponto de falar que “ninguém vai agüentar casar comigo”, isso seria muita frescura. Numa coisa vou ser bem sincero: qualquer mulher consegue se casar comigo. Disso não tenha dúvida, com uma corda bem resistente e um nó bem apertado, qualquer mulher se casa comigo.
Mas pensando bem, até que deve ser legal se casar. Não me refiro à festa propriamente dita ou o bambolê no dedo da mão esquerda. Imagino que, para tomar uma atitude de tamanha imprudência, as pessoas envolvidas devem estar sentindo uma coisa muito boa (ou talvez muito ruim...). Isso deve acontecer quando elas encontram a tal cara metade, isto é, aquela pessoa que se encaixa exatamente conosco. Pensando assim, as minhas perspectivas seriam bastante promissoras. Uma mulher desse jeito teria que ter as qualidades que não possuo, em outras palavras: rica, inteligente, bonita e sem chulé.
Naquela quinta-feira, saí de casa disposto a encontrar a minha cara metade. Senti que aquele era o dia, “de hoje não passa”, cochichei antes de entrar no elevador. Com passos decididos, fui até o caixa eletrônico e tirei quase tudo que tinha, isto é, pouco mais que quase nada. Botei as notas no bolso de trás e voei até aquela travessa no Centro que vivo me esquecendo o nome. Sabia que mesmo de manhã cedo ele estaria lá. Ele que digo era Aderbal, a única pessoa capaz de me ajudar a achar a cara metade.
Ele ia entrando no bar, como de costume, quando me viu chegando. Imediatamente veio me cumprimentar daquele seu jeito tribal. Meio que sabendo o que eu queria, me perguntou rapidamente:
— Está pronto?
— Claro – respondi.
Logo em seguida nos sentamos em uma mesa e ele pôs um bolo de dinheiro. Para não ficar atrás, também esvaziei o meu bolso tirando todo o dinheiro que tinha tirado. Logo em seguida ele perguntou e eu disse:
— Cara, cara metade.
Concordando prontamente, ele jogou a moeda pro alto sob os meus olhares atentos. Depois daquele instante eterno, a moeda caiu na palma de sua mão. Ele viu o resultado e fez o veredicto:
— Cara... droga, eu sempre perco quando peço coroa!
Com os dois braços, abracei a mesa levando toda aquela dinheirama. Cara metade, coroa metade, por mim tanto faz. Ainda bem que azar no amor é sinal de sorte no jogo.
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domingo, novembro 16, 2003
Posted
2:32 AM
by André Melo
Não tem interurbano mas também é foda
Clédisson Craveira relata um problema semelhante
Não que seja vidrado nessa moça da Embratel, como uns e outros, na verdade, de uns tempos pra cá, devo confessar que também venho encontrado problemas com serviços telefônicos. Mas me refiro àquelas mais íntimos, de sedução, uma conversa mais quente, se é que me entende...
tudo bem, tudo bem, estou falando de DISQUE SEXO, MESMO PORRA!!
O grande problema é que nas minhas contas de telefone, os números são muito maiores do que 21 dessa Ana Paula Arozio, ou coisas do gênero. Na grande maioria são ligações internacionais, como numa vez que falei com umas moças que falavam uma língua engraçada que nem entendi ao certo.
Na conta constava um país estranho, desses que terminam com "stão"
Mas de uma coisa eu não posso ne queixar, queria sexo e quando chegou a conta de telefone não tive dúvida. EU TAVA F*!!!
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sexta-feira, novembro 14, 2003
Posted
12:30 AM
by André Melo
Frustante história dos interurbanos da vida
André Melo
Tudo começou coma privatização das empresas de telefonia, a multiplicidade de opções e a concorrência das empresas. Não demorou muito, a Embratel que sempre teve o controle arregaçou as manguinhas e resolveu partir para a luta. Para tanto, contrataram a modelo mais linda-maravilhosa-fantástica-melhor-nora-que-mamãe-podia-ter, Ana Paula Arosio.
Resultado, não consigo mais deixar de ligar para tudo quanto é parente que mora longe só para agradar a menina. Olha, pra falar a verdade, daria até para resistir, mas quando ela pede "por favor" e agradece de coração, daí esqueça, me conquistou definitivamente.
Sei que estou sendo meio idiota, né? Mas é que... é que...
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terça-feira, novembro 11, 2003
Posted
10:07 AM
by André Melo
Super-programa
Os tomates estão bons, vermelhinhos vermelhinhos. Devem ser os tais tomates longa vida, que são eternamente vermelhos. Antigamente, eles ficavam vermelhos e já estragavam, agora permanecem maduros por muito mais tempo. Por outro lado, dizem que faz mal à saúde. O tomate é longa vida, mas nós, que comemos ele, vivemos menos. Sinal dos tempos, as coisas já chegaram ao ponto em que temos que escolher entre tomates e pessoas. Não sei exatamente, porém aposto que deve ser tudo artimanha desses vegetarianos.
É sob protesto que abandono à seção de verduras do supermercado. Vou procurar algo mais saudável para o jantar, talvez uma pizza. Tudo vai depender do preço. Vira e mexe tem numa daquelas promoções imperdíveis, onde liquidam os produtos a preços ridículos só por causa de alguns detalhezinhos. Quem liga se a embalagem está meio gasta ou o rótulo riscado? Prazo de validade é outra coisa desnecessária, acho uma frescura, não vejo mal nenhuma no fato do produto estar um pouco passado. Outro dia comprei um queijo numa promoção e, quando cheguei em casa e vi o prazo de validade, tive que voltar imediatamente ao supermercado. Fui comprar um bolo, aquele era justamente o dia em que ele fazia aniversário!
Mas com ou sem promoções, uma verdade tem que ser dita, venho tantas vezes ao supermercado porque ele é o lugar ideal para se encontrar moças atraentes solteiras. As moças atraentes solteiras estão constantemente vindo para cá para preencher suas geladeiras atraentes e espaçosas. Tudo bem, é verdade que também há muitas moças atraentes casadas, isso sem falar em moças atraentes viúvas, mas dá tudo no mesmo. O problema são as moças solteiras e nada atraentes, que ocorrem com mais freqüência. Ao lado das atraentes solteiras mas nada moças, que não é bem meu público alvo. Fora de questão quando é nada atraente, nem um pouco solteira, moça muito menos, daí é o fim da picada... Pensando bem, melhor eu me concentrar nas compras...
“Produtos de higiene”, taí uma seção interessante. Normalmente nunca tem nada acontecendo, os produtos lá e eu aqui. Mas nunca me esqueço quando olhava os preços e me deparei com uma moça compenetrada nessa seção. Ela estava em dúvida entre ultra soft, extra macio ou folha dupla. Parecia tão concentrada que tentei imaginar o que devia fazer na vida, resolver problemas jurídicos, casos que desfiam a medicina e escolher bem o papel. Ela estava tão concentrada que nem reparou que eu estava tirando alguns produtos de dentro do carrinho dela que estavam em promoção. Naquela hora, tive vontade de me apresentar e conhecer a tal mulher. Seria muito gentil e educado para que ela me convidasse para jantar na casa dela. Assim que desse uma chance, daria uma escapada para o banheiro. Precisava descobrir qual papel ela tinha escolhido.
Além dos motivos normais que levam uma pessoa ao supermercado, essa também é uma boa oportunidade para passear e ver pessoas, assim como ir ao parque. No parque, o exercício é só um pretexto, o que importa é ver as outras pessoas, como aquela vizinha do 19 que sempre faz cooper com trajes mínimos. Por outro lado, fora a vizinha do 19, as pessoas hoje em dia preferem mais passear no shopping. Pois então, ir ao supermercado é como ir ao shopping, só que com hortaliças.
Falando em hortaliças, estava me dirigindo a seção de frutas quando uma imagem me chamou atenção imediatamente. Pisquei os olhos umas três vezes para ter certeza que não estava enganado. Olhei em volta para ver se naquele momento todos estavam bestificados como eu. Por outro lado, aquilo parecia não chamar atenção de todos como fazia comigo. De costas, uma moça belíssima escolhia frutas cuidadosamente encobrindo um pouco a minha visão. Com passos lentos, comecei a me aproximar tentando aparentar calma sem levantar suspeitas. Quando cheguei, finalmente pude analisar de perto e fazer a constatação surpreendente. Atônito, não agüentei e me virei para a moça.
— Que beleza de melões! – disse fazendo biquinho e fechando os olhos.
Subitamente, antes que abrisse os olhos, senti o impacto de um grande tapa na cara, tirando meu equilíbrio e quase me jogando no chão. Quando me refiz do susto, a tal moça já tinha ido, me deixando sem entender nada. Nunca vi tamanho disparate. Também pudera, melão por R$ 2,90 a unidade é uma oferta que tira qualquer um do sério.
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sexta-feira, novembro 07, 2003
Posted
1:08 AM
by André Melo
Momentos da vida de um solteiro
Desabafo de André Melo
Existem momentos da vida de solteiro em que resolvemos fazer uma coisa estranha e desconfortável, resolvemos refletir. Mesmo não sofrendo desse mal com muita freqüência, quando ele aparece geralmente chego a conclusões nada otimistas. Já que rir das desgraças alheias é uma boa fonte de risadas, vou lhes proporcionar momentos agradáveis falando mais um pouco.
Quando a noite se alonga e as horas começam a contagem do zero, é nesse instante em que os solitários ficam mais solitários. Comigo não é diferente, nesses momentos eu sei exatamente como se sente um cacho de bananas numa daquelas promoções de fim de feira. É assim que me sinto, na promoção de rapa estoque mais barata que existe.

Porém, antes que a tristeza tome conta do meu cacho, digo, do meu corpo, tento me acalmar e lembrar que nem tudo está perdido. Em algum lugar, isso mesmo, em algum lugar existem loucos que aturam qualquer tipo de pessoa. É difícil de entender como, mas tem até aquelas pessoas que adoram bananas!
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terça-feira, novembro 04, 2003
Posted
8:30 AM
by André Melo
Jantar de reconciliação
Ela não entrou com uma cara muito sorridente à sala de jantar, mesmo assim acho que as velas que iluminavam a mesa lhe causaram surpresa. Como é que pode, mesmo em 6 anos de matrimônio nunca tivemos um jantar a luz de velas. Espere aí, teve aquela vez em que a companhia de eletricidade cortou a luz por falta de pagamento. Mas essa não vale, não foi lá muito romântico. Ela não gosta muito de sanduíche de mortadela...
Essa vez, porém, tinha que ser diferente, eu tinha que ser um gentleman. Nesses tantos anos de casado nunca estivemos num momento tão difícil, a beira de um arranca rabo definitivo. Ainda bem que recebi um aviso de cautela antes que o pior acontecesse. Nesse ponto, ainda bem que pude contar com a ajuda e sensibilidade do olhar feminino da minha irmã. Foi ela quem me deu um toque sobre o perigo eminente de separação, quando lhe contei sobre a estranha mania da minha esposa de bater a cabeça na parede segurando o álbum do casamento e dizendo “Ai! Se arrependimento matasse...”. Ainda não sei exatamente o que ela quer dizer com isso tudo, só espero que não esteja se referindo do álbum, acho que até hoje pago mensalidade pra pagar o maldito fotógrafo.
Chegando na mesa de jantar toda produzida, puxei a cadeira com toda delicadeza só para ela se sentar, como fazem os cavalheiros. Acho que a última vez que tinha feito algo desse tipo foi com umas cadeiras de praia que comprei numa promoção. Queria saber se prestavam e fiz a esposa sentar nelas, vai que não agüentam meu peso? A diferença que daquela vez teve que ser na força. Por sorte, dessa vez ela se sentou sem precisar dar um empurrão, o que talvez estragasse o espírito romântico. A primeira etapa daquela reconciliação estava cumprida.
Para abrir o banquete, preparei uma entrada com uns salgadinhos que comprei na promoção da panificadora. São gostosos quando acabam de sair do forno, mas, pelo cheiro, isso deve sido há umas três semanas atrás. Pelo jeito ela devia estar resfriada, pois comeu tudo. Um suicídio em se tratar da panificadora daqui da frente.
— Se quiser pode pegar os meus! – ofereci minha parte tentado quebrar o gelo, já que nenhuma palavra tinha sido dita até então.
Incomodado com o silêncio, parti para o “plano b”, isto é, abrir uma garrafa de champagne e deixar a moça de pileque. Não era muito elegante, só que funcionava nos meus tempos de solteiro. Tirei a garrafa da geladeira e coloquei em cima da mesa. Não demorou muito consegui arrancar as primeiras palavras da minha esposa.
— Acha mesmo que vai resolver os problemas do nosso relacionamento tentando me embebedar com essa champagne barata?
— Barata? Pois fique sabendo que gastei R$ 11,90 nela!! – respondi tirando do bolso a nota fiscal do Mercadinho Lira.
Antes que o clima pesasse de vez nesse jantar de reconciliação, logo servi a champagne mais ou menos cara e trouxe o prato principal à mesa. A lasanha estava quente como no instante que tinha saído do forno, com o queijo perfumando toda casa como sabia que ela gostava.
— Bem quente e com bastante queijo. Fiz questão de fazer do jeitinho que você gosta.
— Você fez essa lasanha especialmente para mim? – perguntou surpresa com um olhar de admiração.
— É claro que sim! – respondi com expressão apaixonada, enquanto meus olhos vasculhavam alguma embalagem da casa de massas que pudesse denunciar minhas falsas habilidades culinárias.
Bastou a primeira garfada para que o clima pesado fosse embora deixando o ambiente mais propício a reconciliação. Logicamente, o mistério de como tinha conseguido fazer uma maravilha daquelas ainda persistia. Para não deixar a história tão grotesca, disse que contei com a ajuda do amigo Ricardo Giovanni, um senhor italiano fã de futebol e da beleza das mulheres brasileiras (pelo menos é o que sempre dizem dos estrangeiros). Só não quantifiquei o tamanho da ajuda, mas isso pouco importava agora.
Não tardou, foi a vez dela retribuir o jantar com um bolo de cenoura que conta ter ouvido a receita em um programa de rádio e anotou sabendo ser o meu predileto. Seguindo as dicas do programa, ela resolveu se aventurando nessa receita somente para agradar o esposo. Dois corações apaixonados agradando dois estômagos amargurados.
Alguns quilômetros dali, a Casa de Massas Giovanni e a Confeitaria Holandesa abriam novas vagas na cozinha para dar conta dos pedidos. A oferta de empregos cresce o país prospera. Existe final feliz mais feliz que esse?
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