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quarta-feira, abril 30, 2003
Posted
1:33 PM
by André Melo
Esporte do amigo Alessandro
revelado pelo André
Percebi nesses últimos dias que nem todo mundo é chegado em periquita como eu. Meu amigo Alessandro é uma deles, desde que o conheço não aprecia esses bichinhos. "Mas do que você gosta?", perguntei um dia desses, mas ele se recusava a responder. Depois de muito perguntar, finalmente ele respondeu:
— Eu prefiro ficar no pau!
Constrangido, me calei naquele dia. Dias depois, indo a sua casa entendi do que se tratava, ele estava brincando de subir no pau de sebo.
Tem cada um nesse mundo...
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domingo, abril 27, 2003
Posted
1:46 AM
by André Melo
Descobrindo a roda
por André Melo
Finalmente descobri que os blogs só aceitam gif, não jpg como pensava. Sendo assim, a partir de agora vou poder pôr fotos calientes, do tipo de fazer os leitores subirem as paredes. E pra começar, vou colocar logo uma foto picante. Para mostrar que gosto de ver a coisa mesmo! Vou mostrar um cara como eu, que gosta de pôr a mão nas periquitas!!
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quinta-feira, abril 24, 2003
Posted
4:03 PM
by André Melo
Indicação de Garotinho para a Secretaria de Justiça
dada pelo especialista delegado Maranhão
Nesses últimos dias as pessoas andam me parando na rua com bastante freqüência. É claro que também sou bastante sensível a esses movimentos populares, principalmente quando não nos permitem movimentos, mas chega uma hora que sobra cassetete nesse povo. Quando isso estava se tornando repetitivo demais, resolvi perguntar o que era. A resposta tinha sido interessante, só queriam saber minha opinião. Sendo assim, tome mais uma cacetada.
Eram esses reporteres, estavam todos ansiosos querendo saber a minha opinião sobre a notícia no Rio de Janeiro. Falaram que por lá a prefeita nomeou Garotinho para Secretaria de Segurança Pública. Logo de cara vi que esse era um caso pepinoso, que mereceria apreciação com calma.
Na delegacia, tentei achar meu charuto para poder raciocinar desde o começo. Como nunca tive charuto, resolvi acender o colchão de cela 14 já que o preso não se opôs (estava dormindo). Comecei a relembrar os fatos. A prefeita do Rio nomeou o Garotinho como Secretário de Segurança Pública...
Liguem a sirene, temos um caso importante! Tá na cara que estamos diante de um caso multi-criminal. O primeiro de trabalho infantil, botando um pobre Garotinho para lidar com esse problema de gente grande. Quem ele chamaria para combater o crime organizado? Os Powers Rangers?

O segundo e pior de todos os crimes, o crime de abuso de menores. Pelo que me disseram fontes ultra-secretas, esse prefeita tem um caso amoroso com esse pobre Garotinho. Ela está abusando do coitado, botando o pingolim do menininho na periquita da prefeita. É bom que essa história não seja verdade, caso contrário vou jogar caca no gira-gira (entenda-se como “merda no ventilador”)!
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terça-feira, abril 22, 2003
Posted
1:02 PM
by André Melo
Agora entendo Michael Jackson
“Existem coisas que só sabemos quando sentimos na pele”, li certa vez em uma revista. Era uma frase atribuída à Joanna d’Arc, que teria dito isso ao notar que a inquisição não perdoa, era fogo mesmo. Porém, mesmo conhecendo os dizeres da coitada da Joanna, isso não me livrou de ter que sentir na pele para acreditar na sua frase. Ainda bem que não precisei riscar um único fósforo para isso, somente passando pelo que passei é que pude perceber. É verdade, é tudo verdade. Michael Jackson está falando a verdade.
É importante dizer que nunca tive qualquer vínculo com o popstar Michael Jackson. Conheço-o apenas pela televisão, onde freqüentemente faz coisas comuns aos astros: atender uma multidão de fãs, visitar as crianças queimadas no hospital ou fingir atirar o filho pela sacada. Assim como qualquer um, também achava engraçado seus trejeitos, desde a maneira que abaixa o chapéu, seu andar todo descolado ou quando fechar a braguilha gritando. Mas sobre a polêmica que envolve sua imagem, só passei a dar validade a suas explicações depois de vivenciei uma de suas experiências. Tal fenômeno vou relatar agora.
Curtindo minhas férias de outono em Salvador, resolvi fazer algo inusitado e impossível em termos de Curitiba: tomar sol. Alertado por meu irmão, achei apropriado proteger a pele, já que eu só costumava me queimar quando fazia mau uso da frigideira. Sabendo do sol escaldante da capital bahiana, fiz questão de pegar o maior fator de proteção que vi, o mesmo que esquimós albinos usam para passear no Ceará. Com ele em mãos, tratei de passar sobre o corpo como manda o figurino. Serviço terminado, fui até a praia para começar o bronzeamento. Foi aí que aconteceu a coisa mais extraordinário que vi em Salvador. Não fez sol.
Estava nublado, ameaçou uma chuvinha, resumindo, sol que é bom, nada. É claro que fiquei decepcionado, principalmente depois de passar todo aquele protetor solar. Ainda bem que amanhã era outro dia, pensava. Sendo assim, no dia seguinte fiz a mesma coisa, passei protetor solar e rumei à praia. Mais uma vez vi meus planos foram adiados, o sol não apareceu. Para esfriar a cabeça por mais um dia perdido, fui tomar uma ducha. Chegando no quarto, comecei a me enxugar em frente ao espelho até que notei algo estranho. Na pele, marcas de onde passei protetor solar eram visíveis, mas não marcas comuns. Naqueles dias não tinha sol, então não me bronzeei, na verdade estava mais branco do que antes.
Como podia ter ido à praia e ficado mais branco do que antes? Forçando a vista para ler as letrinhas miúdas da embalagem, comecei a achar a resposta. Lá dizia que o produto protegia a pele 30 vezes mais do que se não tivesse usado. Eu tinha me preparado para ficar no sol e me queimar um pouco, porém, como não tinha sol, em vez de queimar eu clareei. O estranho disso tudo é que só tinha acontecido comigo, pelo menos era isso que pensava. Mas foi num desses acasos da vida que bem nesse instante passava uma matéria sobre as mudanças de cor do cantor Michael Jackson. Agora eu sabia o que ele deve ter passado, problemas com excesso de protetor solar, igualzinho comigo.
Essa era a evidência que faltava, Michael Jackson estava o tempo todo falando a verdade. Subitamente comecei a lembrar das outros histórias atribuídas ao cantor. Depois da cor, o que mais se fala é sobre o nariz dele. Olhando as fotos não tem como negar o trabalho de um bisturi, mas ele jura que só fez uma vez. Como se explicaria tanta mudança? Mais uma vez me lembrei do fenômeno com o protetor solar, foi só não fazer sol que clareei. Partindo desse princípio, o nariz do Michael Jackson poderia afinar sozinho. Aposto minhas fichas que ele usou um dilatador nasal quando não precisava. Como o nariz já estava dilatado, o dilatador nasal funcionou ao contrário, transformando seu nariz normal em um nariz de princesa. Fantástico, não é?
Como você pôde ver, Michael Jackson está desde o início falando a verdade. Ele não é maluco por plásticas, nem dorme numa bolha de oxigênio como se fala por aí. Quanto ao temor de maltratar criancinhas, prefiro acreditar no que ele mesmo diz, que gosta mesmo é de brincar com elas. E acho que, desde que não use protetor solar e dilatador nasal, tá liberado. O único risco de gostar de crianças é se funcionar ao contrário. Se for assim, seria melhor botar mais cadeados nos asilos...
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terça-feira, abril 15, 2003
Posted
12:59 PM
by André Melo
Macacos me mordam
Essas horas que me fazem lembrar das aulas do professor Erasto, que ensinava Evolução na universidade. Como é um tema que desperta a curiosidade em qualquer um, suas aulas sempre tiveram sucesso de público (tarefa difícil já que o horário era mais favorável ao colchão e a coberta). Porém, mesmo gostando das aulas, devo dizer que às vezes ele falava algumas coisas malucas, do tipo sem pé nem cabeça. É verdade, coisas loucas demais, idéias que num dia como hoje voltam à toa.
Uma das coisas que ele gostava de dizer era que a evolução não implicava em melhoria ou em progresso, segundo ele a evolução era apenas mudança. É claro que está errado, puro papo furado. Quando falou isso, só provou que tem um completo desconhecimento daquele inesquecível cientista, cujos trabalhos são até hoje lembrados. O nome não me recordo, mas, pelo que dizem, ele passou a vida dando trabalho.
Como a maioria das pessoas sabem, é claro que evolução é melhoria. Todos os bichos à medida que evoluem estão melhorando. Um exemplo eu podia dar no jegue do meu tio, o Henrique (o tio, não o jegue). Como pude acompanhar toda sua trajetória (do jegue, não do tio), essa história conheci de perto. Lembro-me quando chegou à chácara do meu tio ainda filhote, era um bichinho feio e magro. Hoje, depois de muitos anos, agora ele está horroroso e magro. Mesmo não sendo considerado uma belezura pelas éguas da região, muita coisa o bichano aprendeu. Tudo começou quando o tio Henrique começou a ensiná-lo a contar. Cada vez que ele mostrava um número com os dedos, o jegue ia lá e dava o mesmo número de batidas no chão. O tio mostrava 5 dedos e o jegue dava 5 batidas, e por aí foi. Não existe melhor exemplo de evolução, hoje o danado do jegue abriu um escritório de contabilidade. Ouvi dizer que só de funcionários tem uns 15, todos com os dedos bem grandes.
Para quem ainda duvida que evolução é melhoria, posso dar outro exemplo daqui do quarteirão: o cachorro do vizinho. Logo que me mudei para cá, pude notar que o cachorro de vizinho fazia muito barulho, principalmente altas horas da noite. Como sabia que todos os seres evoluem, tive paciência e soube esperar o tempo necessário. Quando ele começava a fazer barulho, eu jogava um pedaço de pão com álcool para que ele se acalmasse e começasse a dormir. Com o tempo, o silêncio das madrugadas foi restabelecido e nunca mais tivemos problemas com o cachorro do vizinho. É bem da verdade que o sem-vergonha do vizinho ainda está na área de queimados do hospital, talvez eu não precisasse acender fósforo nos pães. Mas esse vizinho cafajeste bem que podia escolher outro horário para fazer festa, né?
Vai ser difícil esquecer a teoria mais louca que o professor Erasto deve ter dito nas aulas, aquela que diz que os macacos pertencem a um grupo irmão aos humanos. Lembro que quando ele falou isso eu quase levantei o dedo e disse: “Na-na ni-na não! Só se for com o senhor, porque na minha família não tem nada disso!”. Grupo irmão, já pensou? E olha que disso eu posso falar, tenho três irmãos, um monte de primos e nenhum deles é primata. Nunca vi nenhum deles se balançando em cima de árvores, muito menos um poster da Xita. Tudo bem que meu irmão mais velho quando bebe muito fica meio desengonçada, enrolando a língua, mas nada que valesse um cacho.
É num momento como este que me lembro dessas aulas. Macacos como um grupo irmão dos humanos, onde já se viu idéia mais louca? Tá certo que os humanos às vezes usam os macacos, mas só quando o pneu do carro fura. Homens e macacos são muito diferentes. E a inteligência? Os macacos não tem a menor chance contra a gente. Não conseguem nem achar o supermercado daqui do lado. Sim, porque deve ter sido lá que o macaco dessa jaula se perder. Falou que só ia comprar uma coisinha e voltava, isso foi há quatro horas! Maldita hora que aceitei ficar no seu lugar, eu queria ajudar o bichinho e virei atração de circo. Realmente não dá para fazer trata com animais irracionais, talvez se pensassem mais. Agora sabe-se lá quando ele volta, ainda bem que de fome eu não morro, tem um baita cacho de banana aqui. Se pelo menos eu tivesse um abridor...
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sexta-feira, abril 11, 2003
Posted
5:15 PM
by André Melo
Acarajé dos reis
pelo enviado especial à Salvador, André Melo
Retornando depois de muito tempo à terra dos afoxés, um dos capítulos interessantes foram as degustações de acarajés. Quando morei aqui adquiri uma dependência química à vatapá, um fenômeno que sempre volta quando volto. Andando pelo centro da cidade com o termômetro da fome apitando, fui surpreendido por uma propaganda: “Acarajé dos reis: R$ 0,50”. Sem acreditar, olhei de novo, não podia custar tão pouco! Eu explico: o preço do acarajé pode variar um pouco, os mais caros chegam a R$ 2,00 e os mais baratos não passam de R$ 1,00, mas aquele por R$ 0,50 era fora dos padrões!
Sendo assim, não custava nada experimentar, aliás, custava R$ 0,50. Fui logo pedindo um com pimenta, talvez fosse melhor não sentir o gosto. Enquanto esperava um gosto de cachorro morto, me surpreendi ao notar nada muito terrível, na verdade era quase gostoso. Satisfeito que fiquei, ao final pedi mais outro “Acarajé dos reis”. Comi o segundo e sai satisfeito, nunca tinha gastado tão pouco para comer dois acarajés.
Chegando em casa, me gabei do meu achado, comendo bem e gastando pouco. Vendo as notícias na televisão, me distrai com os gols e dormi. Em plena madrugada, levanto da cama agoniado, como se tivesse ouvido um sirene de incêndio. Mas o fogo não era em casa e sim no meu estômago, e assim foi o final de semana inteiro. Só na outra semana que fui entender porque o que comi chamava-se “Acarajé dos reis”. Fiquei uns três dias de reinado, em cima do trono.
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5:11 PM
by André Melo
Onda de saques em Bagdá
Escrito pelo excelentíssimo senhor delegado Maranhão
Todos que me conhecessem sabem da minha opinião sobre esta guerra que está ocorrendo. Vocês devem se lembrar que sempre fui a favor e até tentei organizar passeatas pela guerra. Pois então, foi numa dessas noites na delegacia que uma imagem na TV que chamou atenção. Eram imagens sobre a situação atual do país, as ruínas que viraram o Iraque. Mas foi somente quando uma dessas imagens apareceram é que mudei completamente minha opinião, a imagem da triste onda de saques em Bagdá.
A atual situação daquele país já está tão caótica que precisei rever toda a minha posição sendo a favor da guerra contra Saddam. Pessoas tendo que invadir bancos e supermercados, a desordem completa, o desrespeito à propriedade privada, tudo isso só me deu uma certeza em relação esse conflito: a guerra foi a pior escolha. Na minha opinião, a solução não estava em mandar tropas para o Iraque, deviam mandar POLÍCIA praquela bagunça!! Onde já se viu tamanha baderna, tem que dar muita cassetada nesses marginais!! Se for preciso até ajudo a dar porrada nesses vagabundos!!
Se quiserem é só me chamar, prestarei esse serviço com o maior prazer. Por humanidade mesmo.
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terça-feira, abril 08, 2003
Posted
2:54 PM
by André Melo
O lado ruim de ser famoso
Passeando pelos corredores de casa, algo me chamou atenção naquele dia. Era o pronunciamento de uma cantora, dessas bem atuais, que dava entrevista num desses programas de domingo. Não que eu costume ver esse tipo programa com apelo popular, longe de mim, apenas estava passando no quarto da empregada bem na hora. Sério, só estava passando no exato momento. Na entrevista, a tal cantora falou uma coisa que eu me identifiquei bastante, sobre o lado ruim de ser famoso.
Assim como ela, eu também me habituei em ter uma vida pública e sei exatamente o que ela estava dizendo. É claro que ser famoso também tem o seu lado bom, isso não dá para negar. Principalmente no início da carreira, quando não estamos acostumados com o assédio e carinho das fãs. Em boa parte dos casos, os artistas se habituam tanto que não conseguem se acostumar em viver sem os fãs. Pra você ter uma idéia, até eu, que nunca tive assédio e muito menos carinho, tenho dificuldade em viver longe deles. Pessoalmente, é normal quando me vejo cercado de mulheres por todos os lados gritando para mim. Nessas horas, a minha experiência convivendo com a fama me ensinou a saber como lidar nessas situações, acalmando os ânimos: “calma, meninas, aqui tem André para todas”. Geralmente depois de falar isso elas me expulsam do banheiro feminino, mas que elas se acalmam, se acalmam.
Por outro lado, apesar do assédio e carinho das fãs, nem tudo são rosas na vida de uma pessoa famosa. Mesmo sendo ricas e famosas, essas pessoas acabam tendo que abandonar os prazeres pequenos dos normais desconhecidos. Em nome da fama, elas passam a seguir uma rotina cheia de regras para evitar os contratempos na vida de um famoso. Basta observar Michael Jackson, Madonna ou Fernandinho Beira-mar.
Sair andando pelas ruas, por exemplo, é uma coisa que há muito tempo deixou de ser tranqüila. Nós, os famosos, mesmo quando damos um simples passeio na cidade vemos aquela reação exagerada das pessoas, que gritam, choram e até desmaiam. Eu mesmo tive que conviver com isso muitas vezes, quando o contato com o público invariavelmente terminava na delegacia. Foram nessas repetidas vezes que aprendi como deveria agir. Sendo assim, agora só saio de casa vestido.
São tantos ajustes que temos que fazer quando somos famosos, você nem pode imaginar. Ainda bem que estava passando naquela hora no quarto da empregada e pude ouvir o depoimento de alguém que partilha minhas experiências. Outra dificuldade das pessoas famosas é em encontrar uma pessoa que as compreendam. A grande maioria das pessoas comuns não compreendem as pessoas famosas pelo fato da grande maioria das pessoas famosas serem incompreendidas pelas pessoas comuns que na maioria das vezes não compreendem nada do fato comum da compreensão das pessoas. Espere, deixa que eu explico de volta...
Como vocês devem se lembrar, comecei a ser famoso na época do Oscar de 1998. Na televisão eu sempre tinha atuado muito bem, mas o reconhecimento só vem nessas horas. Quando todos começaram a ver a cerimônia e notaram minha presença, foi aquela algazarra geral. Até hoje as pessoas me param na rua e falam sobre aquele dia. Nunca eu fiz as pessoas daqui do prédio tão felizes, vendo uma imagem limpa e cristalina. Porque bem no dia eu tinha arrumado a antena do prédio, ela estava ruim há um tempão, e para a alegria de todos e concertei antes do Oscar. Tive uma brilhante atuação, pena que “O que é isso companheiro” não ganhou naquele ano.
O último incidente na minha carreira foi quando um figurão da moda me viu passando. Imediatamente ele percebeu que ali estava alguém que iria revolucionar os costumes. Eu estava passando, belo e calmo, quando ele notou a roupa. Depois de analisar por todos os ângulos, ele olhou para mim bestificado. Eu me virei e disse: “Só estava passando!”. Desde então tudo começou a acontecer comigo. Quando me viu passando, o figurão ficou impressionado e me chamou para trabalhar com ele. Apesar dos anos lidando com profissionais da moda, ele jamais tinha visto alguém passar uma camisa com eu: respeitando os botões, esticando as mangas e sem dobrar o colarinho.
Desde então abandonei o trabalho com antenas e só passo roupas. Como vivo aqui no trabalho, nem preciso mais gastar dinheiro com o barraco. Pena que por minha causa a outra moça que trabalhava aqui foi mandada embora, o lado ruim de ser famoso e eficiente. Agora fico o dia aqui, passando no quarto da empregada.
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sábado, abril 05, 2003
Posted
7:43 PM
by André Melo
Assumindo o comando
Escrito pelo melhor amigo do André, o Clédisson Craveira
Como vocês devem saber, o André Melo está viajando e sem condições de acompanhar de perto o andamento desse blog. Pra mim não foi muita novidade, muitas vezes percebi que ele estava viajando na maionese. Para assumir a coroa, somente uma pessoa de total confiança ele iria deixar assumir o controle. Dessa forma, sou eu quem irei dar as cartas por aqui agora. O motivo não é difícil de saber. O delegado Maranhão não é má pessoa, mas não pode exercer essa função para cuidar do mundo do crime. O Atanagildo, pra começar, não devia se considerar um pornô poeta e sim um “tirolês poeta”.
Então vou realizar minha intervenção importante nesse blog. Quero que prestem atenção:
Vendo bicicleta Caloi montain bike 18 marchas
Da cor azul, em bom estado e freios em dia.
Único risco está no quadro, onde nome
“André” foi raspado. Preço a negociar.
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Posted
7:39 PM
by André Melo
Tirando umas férias
por André Melo
Pois é, pessoal, curtindo umas férias de outono aqui em Salvador, resolvi correr atrás de alguns esclarecimentos. Na região sul e sudeste do país estamos acostumados a ouvir notícias de escândalos por essas bandas. Geralmente todas elas acabam incidindo sobre apenas uma pessoa, algum camarada metido. Sendo assim, resolvi tirar as coisas a limpo.
Por isso, logo que cheguei resolvi dar uma atenção especial à população, vendo sua real situação e necessidades. Foi daí que tive uma surpresa, ao ver o povo alegre e contente com as conquistas obtidas. Quando saí para as ruas, outra surpresa: limpeza em dia, sinalização presente e policiamento eficaz. Satisfeito que fiquei, resolvi agradecer pessoalmente e parabenizar algum camarada metido.
— Poxa, estou muito satisfeito e feliz. Nunca esperei encontrar uma cidade tão bonita e bem cuidada. E tudo isso graças ao senhor! – ele agradeceu e nos abraçamos. Mas antes que nos separássemos, eu resolvi perguntar a algum camarada metido:
— Já dá pra libertar minha mãe?
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terça-feira, abril 01, 2003
Posted
12:35 AM
by André Melo
Tratado que nem cachorro
Por André Melo
Vira e mexe a gente fica sabendo de uma nova empreitada de um amigo. É legal quando percebemos essas mudanças nas pessoas, quando deixam de se contentarem com a condição de serem sustentados pelos pais e passam a correr atrás do próprio ganha pão. Sinceramente, fico muito feliz ao ver um amigo que era perdido crescendo na vida e conquistando o seu espaço e sua condição. Sem dúvida alguma, o melhor lado disso tudo é quando alcançam uma posição financeira confortável e passam a ajudar os amigos que ainda preferem serem sustentados pelos pais.
Com o dinheiro que a mamãe me deixou para o ônibus, resolvi conferir a novidade. Fazia dias que estava querendo ver de perto, mas só agora resolvi me mexer. Confesso que não acreditei quando me falaram a primeira vez, não fazia o menor sentido. Onde já se viu o Clédisson Craveira abrindo um salão de beleza? Sei que não parece nada extraordinário, ainda mais para quem não conhece a figura. Antes de mais nada, é bom que saibam que o Clédisson é o cara mais... mais..., como poderei dizer? O cara mais tosco que conheço. Sabe, daquele tipo que nunca imaginaríamos dirigindo um salão de beleza.
E pensar que se situação fosse a inversa, quer dizer, eu fosse dono de um salão de beleza, o Clédisson iria tirar sarro de mim por duas ou três encarnações. É claro que não podia me esquecer disso quando encontrei o amigo.
— E aí, Clédis, dando pra ganhar bem ou trabalhando pelo prazer? – já seguei pegando pesado.
— Peraí, peraí, se é só isso que veio falar, então tchau – respondeu sem muita paciência pra brincadeiras.
— Calma aí, foi só uma brincadeirinha, não precisa ficar chateado. Só queria vir conhecer tudo, seu salão de beleza...
— Já sei, você não esperava que eu fosse parar nesse ramo, né?
— Não sabia que tinha essa vocação, Clédisson. Além disso, não achava que iria agüentar as brincadeiras...
— Nem fale. Não podia mais aparecer na rua de casa que já começava a gozação! Foi daí que resolvi mudar o nome do salão.
— E como chama?
— Crazy Dog.
— “Crazy Dog”? – perguntei estupefato – onde já se viu salão de beleza com esse nome?
Mas o nome era esse mesmo, “Crazy Dog”. Naquela hora fiquei com uma dó do pobre Clédisson, tava na cara que aquilo não ia muito longe. Quem em sua sã consciência ia querer cortar o cabelo no “Crazy Dog”. Foi então que resolvi dar um voto de confiança, ceder a minha cabeleira para os seus serviços.
— Você o quê? – perguntou intrigado.
— A minha cabeleira, quero que faça o melhor possível!
Ele ainda ficou mais uns instantes parado, tentando entender direito. Eu, é claro, fiquei firme, para mostrar que confiava nele (mesmo que tremendo). Pouco depois ele pegou a tesoura e começou o trabalho. Estranhei um pouco porque não tinha espelho, mas mesmo assim estava confiante. Tentando me distrair, olhava os quadros ao redor, fotos e mais fotos de cachorros. Nunca soube que o Clédisson gostava tanto desses bichos. Depois de cortar e cortar, ele se inclinou sobre uma gaveta de materiais e disse:
— Agora, o grand final!
Enquanto procurava por algo, eu tentava ver a tabela de preços para saber quanto gastaria. Fiquei confuso ao ver os seguintes dizeres em letras garrafas: “Banho e Tosa por apenas R$ 12,00”.
— Prontinho! – ele disse ao espetar algo na minha cabeça – Que tal? – perguntou puxando um espelho.
Vendo o resultado final, quase cai para trás. Onde se via o meu rosto, agora estava a figura de um cachorrinho, um poodle desses de madame. E com laçinho e tudo.
Só então fui entender o que se passava. O salão de beleza do Clédisson era para cães, não para pessoas. Por isso se chamava “Crazy Dog” e por isso ele tinha estranhado tanto eu querer um corte. Porém, se por um lado eu entendi, isso não me deixou mais calmo. Estava nervoso, muito nervoso. Só fiquei calmo quando ele me deu um osso.
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