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terça-feira, dezembro 30, 2003
Posted
11:31 AM
by André Melo
O Reveillon em casa
— Que bom que estamos todos reunidos numa data tão especial – comecei o discurso. – Afinal de contas, hoje é o último... – tentei continuar até que fui interrompido por uma alta gargalhada vindo da outra extremidade da mesa.
— Você está bêbado! – gritou uma moça completamente embriagada.
— Afinal de contas, hoje é o último dia do ano – continuei discursando.
— Ah é, você só pode estar brincando! – rebateu outro convidado causando uma gargalhada geral. – Pensava que era Dia de Ação de Graças!
Droga, é um saco ter que aturar esses convidados bêbados. Ainda mais quando a gente nem os conhece. Eu que fiquei o dia todo ensaiando esse discurso de ano novo. Cheguei até a comprar o livro “Faça discursos e conquiste as garotas”, por R$ 14,90.
— Por isso, neste ano que está nascendo, temos que renovar as novas... – continuei até ser interrompido novamente, desta vez por aquele som repugnante.
Fiquei alguns instantes sem saber se continuava ou não. No livro dizia para a gente não interromper um discurso, a menos que comecem a atirar objetos pontiagudos, porém, não falava nada sobre vomitar embaixo da mesa. Espero que não manche o tapete persa com etiqueta “Made in China” que comprei dos bolivianos na praça da Espanha.
— Acho que é uma boa hora de fazermos um brinde, não é gente? – tentei animar o pessoal pegando a garrafa de champagne de cima do armário.
Parece ter funcionado, os convidados se juntaram no brinde se acotovelando pelas poucas taças que tinham. Até a minha eu tive que dar depois de levar um soco no estômago. Enquanto eles se divertiam brindando, olhei por debaixo da mesa o estrago que tinham feito no tapete. “Ufa!”, não consegui me conter ao ver que tiveram a prudência de tirá-lo para receber tantos convidados. Teria sido um estrago irreparável para um tapete tão caro, elegante e cosmopolita. Deve ter sido idéia da mãe, precisava contar para ela como sua idéia nos tinha salvo. Engraçado falar dela agora, não me lembro de tê-la visto a noite toda.
—Vo-você é muito legal, cara. Legal mesmo... me dá um abraço!
— Sai fora! – disse empurrando o bêbado que impedia a passagem à cozinha.
Quando entrei, foi aquela decepção, era aquela bagunça e ela não estava lá. Só tinham duas pessoas, uma delas estava um pouco bêbada e a outra completamente. Os dois discutiam:
— Você o quê?
— Eu estava há um tempão procurando o banheiro e não achava. Como eu tava muito apertado, tive que pegar a primeira coisa que encontrei. Por sorte tinha uma garrafa vazia...
— E onde você botou essa garrafa?
— Sei lá... devo ter deixado em qualquer lugar... atrás da porta, em cima do armário...
“Em cima do armário”, ele disse “em cima do armário”? Mas não foi lá que eu achei a garrafa de champagne pro brinde? Não, não pode ser a mesma. Ela estava um pouco quente, isso é verdade, mas eu não seria tão tonto de propor um brinde com uma garrafa de xixi. Além do mais, ninguém iria beber um troço desses...
— Calma, meu bem – passou um casal por mim. – Champagne francesa é assim mesmo Um pouco amarga no começo, mas depois você se acostuma.
— Tem certeza, amor?
— Depois da terceira taça você começa a gostar...
— E esse bafo, é normal?
Pensei em alertá-los, mas pensando bem... Acho que chegou o momento de sair e dar uma boa arejada. Ainda faltam algumas horas para o show de fogos, mas vou sair mesmo assim. Aí dentro todos já estão de fogo. Fechando portão, notei a pintura nova da casa. Engraçado, nunca me avisaram que iam pintar.
— André! Finalmente você apareceu, onde é que você tinha se metido?
— Ué? Eu estava aqui em... – disse apontando.
— Vamos pra casa, senão cê perde a boca livre! – disse a minha irmã me pegando pelo braço.
Ela me puxou até em casa, não aquela casa, a verdadeira. Sim, porque eu tinha entrado na casa errada por engano. Foi mancada, eu sei. Não devia ter tomado umas e outras antes da virada. Desculpe tê-los botado nessa fria, pelo menos vocês não beberam nada estranho, certo? Bom, caso contrário fica a lição para 2004. Legal... enquanto isso, tome aqui um Hall’s. Não gosto muito do cheiro de mictório...
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sábado, dezembro 27, 2003
Posted
12:44 AM
by André Melo
Filminho besta
André Melo
Foi a ausência de algo para fazer que me levou a ver "Mensagem para você". Bom, pra falar a verdade, eu estava com um pouco de vontade de ver esse filme. Nem tão pouca vontade assim. Muita vontade, até. Vontade pra caramba.

Fazia um tempão que não via um filminho da Meg Ryan, aquelas comediazinha romântica água com açúcar. Além de tudo, esse "Mensagem para você", com o Tom Hanks, eu nunca tinha visto.
Começou o filme e me acomodei no sofá. Confesso que tinha até desacostumado de ver essas filmes com a Meg Ryan, talvez por isso algumas coisas pareceram tão gritantes. Como já esperava, um filme tão água com açúcar que devia ser desaconselhado para diabéticos. Ela dona de uma livraria de livros infantis (e eu que não sabia que crianças sabiam ler), ele dono de uma megastore (malvadão).
Isso sem falar dela lendo livros infantis e as crianças escutando admiradas (e eu que não sabia que as crianças sabiam escutar). Teve também outras cenas inacreditáveis, mas o grand finale foi o the end ao som de Somewhere over the rainbow.
Por outro lado, uma coisa deve ser dita, estou torcendo para que façam "Mensagem para você parte II".
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sexta-feira, dezembro 26, 2003
Posted
1:47 AM
by André Melo
Trabalho no Natal
André, o herege que não respeita datas sagradas
Embora a maioria das pessoas acredita que só quem trabalha é o Papai Noel, nesse dia 25 eu estava arrumando a mochila para bater o ponto no laboratório. Talvez, a coisa mais sem sentido disso tudo era que eu fui porque quis, já que não tinha essa obrigação.
Mas não foi uma simples decisão descabida, trabalhar em dias como esse é sempre muito mais fácil, o laboratória fica vazia, sem outros colegas ou renas pra lá e pra cá. Contudo, nem tudo deu certo. Aliás, tudo deu errado.
Ficou um lição para toda vida: Nunca mais vou trabalhar no Natal. Meus filhos vão ter que achar outro idiota pra se vestir de pijama vermelho com barba.
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terça-feira, dezembro 23, 2003
Posted
11:22 AM
by André Melo
A verdadeira história do Papai Noel
Nesta época do ano, as crianças são presença constante na televisão, sempre de carinhas singelas e olhares meigos à espera do Papai Noel. Para quem não tem muito contato com elas, corre-se o risco de acreditar na sinceridade e pureza dessas criaturinhas infantis. Por outro lado, quem já conviveu bastante tempo sabe que as crianças deste século XXI não têm muito de meigas e singelas como pregam os comerciais. As desgraçadinhas ficaram inteligentes e espertas, principalmente quando orientadas por um advogado.
— Papai Noel tem filho, tio?
— Que disse? – perguntei ao meu sobrinho.
— O Papai Noel é pai de quem? Ele tem filho?
Calmamente, estiquei o braço e apertei a bochecha do moleque.
— Gracinha do titio. Gra-ci-nha!
É o que faço quando não tenho resposta. Sei que pode parecer idiotice, mas geralmente funciona com mulheres e crianças. Desta vez, porém, ele continuava com o olhar de interrogação. Tentei mais uma vez, só que agora apertando mais.
— Gracinha do titio. Gra-ci-nha!!!
— Tá bom, tá bom... – disse se esquivando. – Vou perguntar pro tio Luiz...
Êpa, espere aí! Que história é essa de perguntar pro tio Luiz? Quem respondia as dúvidas sempre fui eu. Sempre fui eu o Oráculo da família. Ciência, astronomia, filosofia, física quântica... Desde “Qual o nome do capitão da Copa de 94?” até “Qual o nome da vizinha gostosona do 5o andar?”.
— Tudo bem, sobrinho. Sente-se aqui que vou contar tudo que queira – disse puxando uma cadeira. – Chegou a hora de você saber a verdadeira história do Papai Noel.
Imediatamente, o pequeno sobrinho se voltou e sentou a minha frente. Também pudera, depois de uma propaganda dessas.
— O Papai Noel tem filhos? Por que a gente nunca ouviu falar neles?
— Sabe, agora que você está maiorzinho, já chegou a hora de conhecer a verdadeira história do Papai Noel. O Papai Noel, como você já deve ter desconfiado, não tem filhos. Ele é estéril.
— Estéril? – repetiu sem entender. Provavelmente nem sabia o que era.
— Estéril. Apesar do saco grande, Papai Noel não pode ter filhos.
— Hããã...
— Tudo graças a um desentendimento que teve com Fliper.
— Fliper?
— Sim, ele levou um coice da sua rena, Fliper. A que vem depois de Rex.
— Então o Papai Noel não é pai e a Mamãe Noel não é mãe?
— Isso mesmo. É apenas um casal senil... Mas espere – tentei corrigir vendo que falei algo muito pesado. – Um casal senil, mas muito “gente boa”. Em vez gastar a aposentadoria no bingo, resolveram fazer a alegria da criançada.
Ufa, consegui contentar o moleque. Respondi todas as dúvidas natalinas da pequena criança. Deu para perceber que saiu satisfeito em ter suas perguntas respondidas. Também colaborei para a manutenção da imagem do Papai Noel, que ganhou o status de velhinho “gente boa”. Além disso, foi importante dar um alerta sobre o perigo do coice de renas e outros ruminantes. Afinal de contas, a família tem que se perpetuar.
— Só mais uma coisa, antes que me esqueça – disse antes que meu sobrinho fosse embora. – Já que estou lhe contando a verdadeira história do Papai Noel, tem uma pessoa que não pode ser esquecida.
Já que tornei a lenda do Natal ainda mais bela que a original, não seria de todo mal se puxasse a brasa para a minha sardinha.
— Como você deve ter percebido, Papai Noel não faz muita coisa além de ficar berrando “Ho Ho Ho!”. Na verdade, quem faz a maior parte do trabalho pesado não é ele, sim o Titio Noel.
— “Titio Noel”?
— Titio Noel. Por que tio é mais importante que pai, não é verdade sobrinho?
— É mesmo? Se tio é mais importante que pai, o senhor tem que me dar um presente mais caro que o meu pai. O que vai ser, tio?
— É... bem... gracinha do titio. Gra-ci-nha!
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terça-feira, dezembro 16, 2003
Posted
10:28 AM
by André Melo
Tarde trabalhosa para o Papai Noel
— Ho Ho Ho! – exclamou como só ele sabe fazer. – Tudo bem, criançada?
Os pequeninos foram ao delírio, todos loucos para falar com o Papai Noel. Haviam esperado por isso o ano todo, desde o natal passado, quando que ele deu uma bola de futebol em vez do Playstation. Tudo bem, ele também podia se enganar, eram tantas crianças, ele deve ter confundido Fulano com Sicrano...
No meio da algazarra, a confusão estava formada. Deu um trabalho danado para os anões ajudantes, eram eles que tinham que formar a fila para conter a garotada. Ainda não é Natal, mas tradicionalmente o Papai Noel aproveitava esse tempo que resta para saber quem se comportou bem e merece ganhar presentes.
— E você, garotinho, foi um bom menino esse ano? Ajudou a mamãe, o papai?
— Sim, sim!
— Então pode esperar, vai ganhar um presentão no fim do ano. Comprado em 3X sem juros no shopping... – tudo bem, ele também fazia seu comercial. Sabe como é, viver hoje em dia só de aposentadoria não há bom velhinho que consiga.
As crianças não paravam de chegar, quanto mais o Papai Noel atendia, mais iam chegando. Essa ia ser um tarde daquelas, por sorte ele não se incomodava e tinha paciência com todas elas.
— Papai Noel, essa barba é de verdade? Posso puxar? – perguntou a menininha de vestidinho.
— É sim, é de verdade. Pode puxar, mas só se for devagar.
— Papai Noel, esse nariz é de verdade? Posso puxar?
— Olha, menininha, não acho que seja uma boa idéia...
— E o olho, Papai Noel, um posso puxar o olho? Posso puxar seu olho, Papai Noel? Posso?
— Olha só, menininha, olha o que eu tenho pra você! – disse tirando da manga um pirulito, ele sempre usava um em caso de emergência.
Pois então, as coisas seguiam tranqüilas, méritos ao Papai Noel que sabia como conduzir a molecada. As coisas seguiriam assim até o fim do dia, porém, um estranho som de flauta era uma espécie de aviso. Ninguém percebeu de início, mas como ele foi se aproximando todos começaram a ouvir. Por fim, uma porta se abriu e ele apareceu.
“Ele? Ele quem?”, você deve estar se perguntando. Nem eu sei, era uma figura estranha, todo branco e com orelhas enormes. Dá para imaginar que todos, até mesmo o Papai Noel, olharam em sua direção tentando entender. Ele continuou tocando sua flauta doce e dançando no ritmo. Com uma das mãos, começou a jogar umas coisas brilhantes, parecendo bombons. Quando a música parou, ele, por fim, se virou e exclamou para todos:
— Feliz Páscoa!!
Foi só nesse momento que percebemos que aquela figura era um coelho, o Coelho da Páscoa!
A inquietação foi geral, as crianças, que antes só tinham olhos pro Papai Noel, agora tinham uma nova estrala. À medida que ele jogava os bombons, as crianças se acotovelavam para pegar. Sem entender nada estava o Papai Noel, totalmente largado no seu troninho vermelho.
Rapidamente, o sorriso amarelo deu lugar a uma expressão enérgica. Trocando olhares com os ajudantes, rapidamente ele comandou toda a operação. Com um único sinal, quatro anões de 2 metros de altura saíram dos fundos, cercaram o Coelho da Páscoa e o agarraram de uma forma pouco afetuosa. Nessa hora o Papai Noel começou a atirar pirulitos na multidão para distrair as criancinhas. Deu certo, elas nem notaram que os anões tinham levado o coelho para um beco.
A briga, como vocês podem imaginar, estava comendo solta. Gritos, xingamentos e barulhos estridentes poderiam ser ouvidos, mas nessa hora Papai Noel discursava distraindo a multidão. Em tom de despedida, o bom velhinho pegou seu suas coisas e já se conduzia para a saída do local. As crianças que o acompanhavam e nem notaram o som de dois tiros abafados pelo grito de “Ho Ho Ho!”.
Pois então, é claro que Papai Noel jamais faria uma coisa dessas, mas com a economia de mercado de hoje em dia até ele tem que lutar para manter seu público consumidor. É só nesse final de ano que o bom velhinho pode tirar o pé da lama, não é verdade? Bom, para mim não tem problema, mas é bom que ele se cuidar no mês de abril. Sabe como são esses personagens de datas comemorativas, quando resolvem pôr uma idéia na cabeça não há santo que tire...
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domingo, dezembro 14, 2003
Posted
12:49 AM
by André Melo
Não pode ser... mas é ela!
André Melo
Foi numa dessas bancas de jornais que acabei constatando o que muito gente já sabia. Vendo nas capas das revistas, um par de belas pernas femininos chamou a minha atenção. Na verdade nem foram tanto as pernas, sim o nome da dona das tais pernas: Luciana Vendramini.

"Luciana Vendramini?". peraí, esse não me é estranho, ele me remete recordações muito antigas, mas ainda sim me lembro. Demorei um bom tempo para puxar tudo na memória (e também no google).
Ela era só paquita quando aos dezessete anos posou para a Playboy e causou um furor danado. Isso já fazem 16 anos e só me lembro porque meu irmão mais velho era louco por ela. Ele chegou a comprar a revista e eu lembro de também ter gostado de ver a paquita sem roupa de paquita (sem roupa nenhuma, aliás).
Estavamos em 1987, êta anos 80... depois de sair na Playboy ela se casou com o maior rockstar tupiniquim da época, Paulo Ricardo. Sim, o Paulo Ricardo do RPM, "Rádio Pirata" e coisa e tal. Aquele que ficou bom moço e depois malvado de novo.
O mais estranho foi ela ter sumido, quando vi que ela ainda existia, lembrei imediatamente da beleza angelical da ex-paquita. "Deve ter 21 anos agora", pensei com meus botões. Que nada, está com 33 anos, se separou, deve ter empregada, um ou dois cachorros, filhos também. Isso sem falar em netos, talvez já tenha netos, a empregada já tenha netos, o cachorro já tenha pulado a cerca e feito netos também. Tudo uma pouca vergonha, esse mundo é uma pouca vergonha!!!
Quanto será que está custando a revista?
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quinta-feira, dezembro 11, 2003
Posted
2:21 AM
by André Melo
Agradecimentos por mais uma dádiva
fiel e devoto André Melo
Vendo as estatísticas do blog, um fato de chamou a atenção, o alto contigente de pessoas que acessaram no dia 21 de novembro. Intrigado, tentei descobrir o porquê dessa data. O teria ocorrido no dia 21 de novembro?
Foi somente depois de muito matutar que acabei desvendando o mistério. Vendo uma tabela de datas comemorativas dos católicos, descobri que dia 21 de novembro é o data em que se comemora o "Dia de São Demétrio".

Dentre todas as graças já proferidas por essa santidade, esta foi mais uma, quadruplicar em um dia o número de acessos que esse blog. Bom católico que sou, deixo aqui meus agradecimentos a São Demétrio e a todos os devotos do santo que navegam pela interne.
Amém!
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terça-feira, dezembro 09, 2003
Posted
8:52 AM
by André Melo
Espionando intimidades alheias
A descoberta do sexo oposto é sempre um assunto que dá pano pra manga, pois é o momento em que deixamos os brinquedos de lado e passamos a nos interessar em outras coisas. Não me refiro a aventuras picantes e sacanagens afins, falo do primeiro instante em que percebemos que as diferenças entre meninos e meninas vão além do cabelo com maria-chiquinha. Se antes a eterna competição “time das meninas contra time dos meninos” dita as regras, agora temos a curiosidade de conhecer os integrantes do outro lado, quem são, como vivem e se é verdade que fazem xixi sentadas. Um exemplo muito usado para demonstrar as inquietações desse período é o artifício que os garotos faziam para enxergar por debaixo da saia das colegas de classe, que consistia em colocar um espelho na ponta do sapato para enxergar territórios proibidos. Nesse aspecto, tenho que confessar, também gostava de espionar as intimidades alheias.
— André, podia me dar uma mãozinha aqui? – pediu uma colega da repartição que divide expediente.
— Sim, claro.
Por outro lado, muita coisa mudou desde que bastava um espelhinho no sapato para alcançar locais mais restritos. Na minha época, assim como hoje, os uniformes escolares das moças são idênticos ao dos rapazes, isto é, composto daquela calça cumprida pouco atraente. Saias, como as de antigamente, as colegiais não usam mais, ficaram de pernas escondidas para o alívio dos pais e tristeza dos garotos. É claro que hoje em dia as coisas estão muito mais maliciosas que naquela época, seria ingenuidade minha achar que as calças cumpridas solucionaram os problemas hormonais da juventude. Mas se as saias não eram usadas na minha época, como eu poderia invadir essas intimidades?
— Você podia levar essa pilha de papéis lá para o arquivo? Eu estou aqui ocupada com esses formulários...
— Tudo bem – respondi.
Estava dizendo como eu podia espionar as partes baixas já que não existiam mais saias e quaisquer partes a mostras naqueles uniformes padronizados. Estava aí um problema que tive que resolver ainda quando tinha meus 10, 11 anos. Pois então, mesmo com os tecidos recobrindo as intimidades das meninas, tinha uma que ficava a mostra. Quando aprendi o que fazer para conseguir enxergar, me desdobrava todo só para dar uma espiada. A intimidade que lutava tanto para ver estava no sorriso delas.
— Só uma coisa, André, não tente trazer todos os papéis de uma só vez que não vai dar certo. Vá devagar senão cai tudo!
— Calma, moça, parece que não me conhece... – acalmei a moça já com o plano todo pronto na cabeça. – Eficiência é o meu sobrenome!
Tudo bem, sei que é um pouco bobagem, um sorriso por mais bonito que seja ainda é só um sorriso. Além disso, existem muitas outras coisas para serem vistas em uma mulher além de uma boca cheia de dentes. Principalmente mais em baixo. Mas não se esqueçam que eu as meninas em questão tinham só uns 10 anos, sendo assim um sorriso estava de bom tamanho.
— Essa pilha cheia de papéis soltos? – perguntei desamarrando o cadarço do sapato e me preparando para carregar a papelada.
— Esses aí, são esses papéis mesmo – disse vendo a empreitada que estava fazendo. – Mas não tente levar tudo de uma vez! Isso não vai dar certo...
— Quieta, moça! Você está falando com um profissional, entendeu? Profissional.
Passei tanto tempo atrás do sorriso das meninas que cheguei até a pensar em direcionar a vida toda só para isso, me tornando dentista. Hoje, dou graças a Deus por não ter feito isso. Seria muito triste a cada sorriso ficar reparando na camada de tártaro, no leve desgaste no esmalte ou num clareamento bem indicado. Definitivamente não tenho vocação para isso.
Abracei a papelada que estava em cima da mesa e tentei me ajeitar, o que era difícil já carregava muito mais do que agüentava. Cheguei até a ouvir minha colega avisando sobre o cadarço desamarrado, mesmo assim segui em frente. Cambaleando entre as mesas, fui deixando um rastro de papéis pelo caminho até me certificar que estava longe do alcance de visão dela. Quando chegou o momento, usei toda a minha veia teatral para representar um tropeço, jogando toda a papelada no chão. Com certeza não ganharia um Oscar, mesmo assim foi o suficiente para arrancar altas gargalhadas.
— Quer uma ajuda? – ela disse vindo em minha direção.
— Não precisa – respondi vendo seu sorriso de orelha a orelha. – Você acabou de me ajudar.
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domingo, novembro 30, 2003
Posted
12:45 AM
by André Melo
Novo ataque terrorista!
Alarme dado pelo Delegado Maranhão
Brincadeirinhas a parte, vamos usar o espaço desse blogue para falar um pouco de coisa séria. Estava em casa assistindo o telejornal da Al Jazira, onde sempre passam as últimas do terrorismo, uma revelação estareceu o mundo da religião judaico-cristã ocidental.
Me refiro ao perigo do atentado terrorista que andam prometendo acometer em breve os EUA. Sabendo que as defesas norte-americanos estão em alarme, os militantes da al-quaeda estão planejando disfarces para enganar e iludir as autoridades.
Em uma foto conseguida pelos espiões americanos, o próprio Osama Bin Laden aparece treinando um terrorista disfaçado. Passando despercebido nos grandes centros urbanos, o ataque seria feito de surpresa, sem dar chance de reação. Sendo assim, preste atenção e fique atento, se observar uma cena parecida com esta, por favor, não esqueça de avisar as autoridades.
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quinta-feira, novembro 27, 2003
Posted
9:49 AM
by André Melo
Atenção para uma revelação que vai deixar qualquer um de cabelo em pé!
SALAMANDRAS SÃO ANFÍBIOS!!
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terça-feira, novembro 25, 2003
Posted
8:53 AM
by André Melo
Nos bancos da praça da vida
Usando o resto de força que me sobrava daquele dia de trabalho, abri uma frestinha na janela do ônibus. Eram umas cinco horas e o sol da tarde castigava o lado direito do coletivo, bem onde estava. Ainda bem que existem pessoas de atitude e perseverança que abriram um pouco a janela, eu.
— Olhe só aquilo, olhe! – falou uma senhora apontando com o dedo na janela.
Eram duas senhoras sentadas bem na minha frente, trocando figurinha, coisas de senhoras.
— Aonde? – perguntou a outra sem entender.
— Aqueles dois, no banco da praça! – se referindo à praça em que o ônibus estava parado.
Aliás, é claro que não estava se referindo à praça, estava falando de um casalzinho namorando lá, todo agarradinho (agarradinhos entre si, não na praça).
— Ai, meu Deus... – disse assim que notou.
— Que coisa, não?
Uma cena cotidiana, duas velhinhas cotidianas. Que será que tem na janta de hoje?
— Essa juventude de hoje perdeu o juízo, onde já se viu uma coisa dessas em plena praça?
— Na frente das outras pessoas...
Pelo jeito que a mulher falava só faltava o picador de gelo para “Instinto Selvagem”. No entanto, era só um casalzinho namorando. Não precisa nem dizer que nessa altura dos acontecimentos o ônibus todo estava de vigia. Até eu, que geralmente não sou de ficar observando a vida alheia ou reparando nesse tipo de coisa. Não, realmente não fico fazendo isso, não mesmo. Em casos extremos somente quando tem shortinho envolvido na história, fora isso nunca.
— No meu tempo não tinha nada disso! – disse outra mulher, entrando na conversa.
— Claro que não – concordou a senhora – onde já se viu namorar assim na rua?
— Eu tenho pena é da mãe dessa moça – acrescentou ainda outra, puxando as compras do supermercado pra perto para entrar de vez na conversa.
Aos poucos o grupo ia aumentando, as senhoras, que antes eram só duas, agora já chegavam a meia dúzia. E olhe que ainda havia ramificações, até alguns senhores também faziam parte da discussão, mesmo que só concordando. A tal praça tinha passado há muitos tubos atrás, mas os namoradinhos permaneciam em debate.
— É por isso que as coisas estão desse jeito.
— Ninguém mais se respeita...
— Namorado, namorada...
— Marido e esposa...
É, nisso aí até que elas estão certas, não sei se por causa dos namoricos nas praças, mas não se fazem mais casamentos como antigamente e...
— Isso aí é falta de criação, esses pais de hoje em dia não sabem criar os filhos!
— É verdade!
— Porque antigamente...
Não deixa de ser verdade, a criação tem dedo na história.
— Os pais dão liberdade total daí dá nisso: menina de 17 anos grávida.
— Aposto que aquela da praça vai seguir esse caminho!
— Ter um filho antes dos dezessete.
— E grávida de gêmeos! – não agüentei e dei a minha participação nas especulações na vida da menina, que para nós já tinha quatro filhos, um de cada pai diferente e todos batizados no alambique.
Sem muitas demoras, o ônibus chegou no terminal e a turma toda se desfez. Ainda deu para ouvir um “esse mundo tá perdido!”, que a senhora soltou de despedida. Eu saí apressado, sem notar onde foi parar cada um, outra viagem a gente se encontra. Sem que tivesse visto, as duas senhoras saíram vagarosamente do ônibus e desceram o túnel do terminal, indo parar exatamente no ponto do mesmo ônibus, só que no outro sentido. Devem ter esperado cinco ou seis minutos até que ele viesse. Aconchegadas no banco, viajaram tranqüilas até que o ônibus parou em frente a praça, a mesma de anteriormente.
— Olhe só aquilo, olhe! – disse apontando com o dedo na janela.
— Aonde?
— Aqueles dois, no banco da praça!
— Ai, meu Deus...
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domingo, novembro 23, 2003
Posted
11:31 AM
by André Melo
GALINHA MORTA! Ganhe dinheiro fácil em apostas!!
dica imperdível do André Melo

Atenção pessoal, falo agora com os rapazes que gostam de dinheiro e futebol, neste domingo irei ao jogo Paraná X Cruzeiro e vou contar pra vocês o resultado do jogo, já que ainda faltam 4h pro juiz apitar o início da partida.
Assim como eu, se vocês forem um pouquinho espertos, o mais aconselhavel a fazer o juntar todo o dinheiro que dispõe e apostar tudo no seguinte resultado:
"Paraná 4 X 1 Cruzeiro"
Pessoal, é galinha morta. Para que vocês acreditem, saibam que eu juntei toda a bolada da minha bolsa vale-transporte (R$ 150,00) e já fiz minhas apostas. No final do dia, poderei ser visto nos bares enchendo a cara de Fanta Uva e pagando uma rodada para todos.

"Mas como ele pode saber de uma coisa dessas?", vocês devem estar se pensando. É claro que não irei dizer, não são todas pessoas com um dom para isso, apenas direi. Só quero que saibam de uma coisa: "Podem confiar em mim".
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terça-feira, novembro 18, 2003
Posted
8:10 AM
by André Melo
Uma pergunta que me tirou do sério
— E aí, André, me diga uma coisa.
— Hã.
— Você já se casou?
— Se eu já me casei?
— É, você. Cê ainda não casou?
— É... não?! – foi a única coisa que consegui responder. Aquela tinha sido a primeira vez que me fizeram essa pergunta.
Isso foi há mais ou menos um mês atrás e até então jamais tinha pensado a respeito. O tema “casamento” só me surgia à cabeça quando assistia o último capítulo das novelas, mesmo assim era bem rápido, acabava com o beijo apaixonado, as solteironas rolando pelo buquê e a palavra “Fim”. Mas quando a pergunta foi para mim, confesso que até hoje não me recuperei do choque. Pensava que só faziam essa pergunta para mulheres. Entre os homens, falar em casamento era como tocar em assunto inconveniente, algo como comprimidos azuis ou doenças com exame desonroso.
É verdade que grande parte disso é só conversa, coisas que os homens falam só para dar uma de durão. Enquanto exclamam em altos brandos que não querem se casar, pensam na cor do portão da nova casa e no nome do cachorro que vão comprar assim que mudarem. Isso sem falar no que boa parte das pessoas não sabem, sobre aquela categoria de homens que sonham com uma cerimônia religiosa no altar, com direito a vestido branco e tudo. Pode parecer brincadeira, mas muitos rapazes sonham com o momento de jogar o buquê e sair nos braços do homem de seus sonhos. Contudo, esses sonhos acabam invariavelmente não se realizando, pelo menos enquanto não permitirem os casamentos gays.
Indiferente a esse assunto, devo confessar que nunca parei pra pensar que um dia eu iria casar. Fora as coisas estranhas da cerimônia, comecei a pensar de como deve ser difícil aturar a mesma pessoa todo dia, no caso uma esposa. Isso sem falar em ter que me aturar todos os dias, coisa que nem eu às vezes consigo. Por outro lado, não seria auto-piedoso ao ponto de falar que “ninguém vai agüentar casar comigo”, isso seria muita frescura. Numa coisa vou ser bem sincero: qualquer mulher consegue se casar comigo. Disso não tenha dúvida, com uma corda bem resistente e um nó bem apertado, qualquer mulher se casa comigo.
Mas pensando bem, até que deve ser legal se casar. Não me refiro à festa propriamente dita ou o bambolê no dedo da mão esquerda. Imagino que, para tomar uma atitude de tamanha imprudência, as pessoas envolvidas devem estar sentindo uma coisa muito boa (ou talvez muito ruim...). Isso deve acontecer quando elas encontram a tal cara metade, isto é, aquela pessoa que se encaixa exatamente conosco. Pensando assim, as minhas perspectivas seriam bastante promissoras. Uma mulher desse jeito teria que ter as qualidades que não possuo, em outras palavras: rica, inteligente, bonita e sem chulé.
Naquela quinta-feira, saí de casa disposto a encontrar a minha cara metade. Senti que aquele era o dia, “de hoje não passa”, cochichei antes de entrar no elevador. Com passos decididos, fui até o caixa eletrônico e tirei quase tudo que tinha, isto é, pouco mais que quase nada. Botei as notas no bolso de trás e voei até aquela travessa no Centro que vivo me esquecendo o nome. Sabia que mesmo de manhã cedo ele estaria lá. Ele que digo era Aderbal, a única pessoa capaz de me ajudar a achar a cara metade.
Ele ia entrando no bar, como de costume, quando me viu chegando. Imediatamente veio me cumprimentar daquele seu jeito tribal. Meio que sabendo o que eu queria, me perguntou rapidamente:
— Está pronto?
— Claro – respondi.
Logo em seguida nos sentamos em uma mesa e ele pôs um bolo de dinheiro. Para não ficar atrás, também esvaziei o meu bolso tirando todo o dinheiro que tinha tirado. Logo em seguida ele perguntou e eu disse:
— Cara, cara metade.
Concordando prontamente, ele jogou a moeda pro alto sob os meus olhares atentos. Depois daquele instante eterno, a moeda caiu na palma de sua mão. Ele viu o resultado e fez o veredicto:
— Cara... droga, eu sempre perco quando peço coroa!
Com os dois braços, abracei a mesa levando toda aquela dinheirama. Cara metade, coroa metade, por mim tanto faz. Ainda bem que azar no amor é sinal de sorte no jogo.
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domingo, novembro 16, 2003
Posted
2:32 AM
by André Melo
Não tem interurbano mas também é foda
Clédisson Craveira relata um problema semelhante
Não que seja vidrado nessa moça da Embratel, como uns e outros, na verdade, de uns tempos pra cá, devo confessar que também venho encontrado problemas com serviços telefônicos. Mas me refiro àquelas mais íntimos, de sedução, uma conversa mais quente, se é que me entende...
tudo bem, tudo bem, estou falando de DISQUE SEXO, MESMO PORRA!!
O grande problema é que nas minhas contas de telefone, os números são muito maiores do que 21 dessa Ana Paula Arozio, ou coisas do gênero. Na grande maioria são ligações internacionais, como numa vez que falei com umas moças que falavam uma língua engraçada que nem entendi ao certo.
Na conta constava um país estranho, desses que terminam com "stão"
Mas de uma coisa eu não posso ne queixar, queria sexo e quando chegou a conta de telefone não tive dúvida. EU TAVA F*!!!
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sexta-feira, novembro 14, 2003
Posted
12:30 AM
by André Melo
Frustante história dos interurbanos da vida
André Melo
Tudo começou coma privatização das empresas de telefonia, a multiplicidade de opções e a concorrência das empresas. Não demorou muito, a Embratel que sempre teve o controle arregaçou as manguinhas e resolveu partir para a luta. Para tanto, contrataram a modelo mais linda-maravilhosa-fantástica-melhor-nora-que-mamãe-podia-ter, Ana Paula Arosio.
Resultado, não consigo mais deixar de ligar para tudo quanto é parente que mora longe só para agradar a menina. Olha, pra falar a verdade, daria até para resistir, mas quando ela pede "por favor" e agradece de coração, daí esqueça, me conquistou definitivamente.
Sei que estou sendo meio idiota, né? Mas é que... é que...
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terça-feira, novembro 11, 2003
Posted
10:07 AM
by André Melo
Super-programa
Os tomates estão bons, vermelhinhos vermelhinhos. Devem ser os tais tomates longa vida, que são eternamente vermelhos. Antigamente, eles ficavam vermelhos e já estragavam, agora permanecem maduros por muito mais tempo. Por outro lado, dizem que faz mal à saúde. O tomate é longa vida, mas nós, que comemos ele, vivemos menos. Sinal dos tempos, as coisas já chegaram ao ponto em que temos que escolher entre tomates e pessoas. Não sei exatamente, porém aposto que deve ser tudo artimanha desses vegetarianos.
É sob protesto que abandono à seção de verduras do supermercado. Vou procurar algo mais saudável para o jantar, talvez uma pizza. Tudo vai depender do preço. Vira e mexe tem numa daquelas promoções imperdíveis, onde liquidam os produtos a preços ridículos só por causa de alguns detalhezinhos. Quem liga se a embalagem está meio gasta ou o rótulo riscado? Prazo de validade é outra coisa desnecessária, acho uma frescura, não vejo mal nenhuma no fato do produto estar um pouco passado. Outro dia comprei um queijo numa promoção e, quando cheguei em casa e vi o prazo de validade, tive que voltar imediatamente ao supermercado. Fui comprar um bolo, aquele era justamente o dia em que ele fazia aniversário!
Mas com ou sem promoções, uma verdade tem que ser dita, venho tantas vezes ao supermercado porque ele é o lugar ideal para se encontrar moças atraentes solteiras. As moças atraentes solteiras estão constantemente vindo para cá para preencher suas geladeiras atraentes e espaçosas. Tudo bem, é verdade que também há muitas moças atraentes casadas, isso sem falar em moças atraentes viúvas, mas dá tudo no mesmo. O problema são as moças solteiras e nada atraentes, que ocorrem com mais freqüência. Ao lado das atraentes solteiras mas nada moças, que não é bem meu público alvo. Fora de questão quando é nada atraente, nem um pouco solteira, moça muito menos, daí é o fim da picada... Pensando bem, melhor eu me concentrar nas compras...
“Produtos de higiene”, taí uma seção interessante. Normalmente nunca tem nada acontecendo, os produtos lá e eu aqui. Mas nunca me esqueço quando olhava os preços e me deparei com uma moça compenetrada nessa seção. Ela estava em dúvida entre ultra soft, extra macio ou folha dupla. Parecia tão concentrada que tentei imaginar o que devia fazer na vida, resolver problemas jurídicos, casos que desfiam a medicina e escolher bem o papel. Ela estava tão concentrada que nem reparou que eu estava tirando alguns produtos de dentro do carrinho dela que estavam em promoção. Naquela hora, tive vontade de me apresentar e conhecer a tal mulher. Seria muito gentil e educado para que ela me convidasse para jantar na casa dela. Assim que desse uma chance, daria uma escapada para o banheiro. Precisava descobrir qual papel ela tinha escolhido.
Além dos motivos normais que levam uma pessoa ao supermercado, essa também é uma boa oportunidade para passear e ver pessoas, assim como ir ao parque. No parque, o exercício é só um pretexto, o que importa é ver as outras pessoas, como aquela vizinha do 19 que sempre faz cooper com trajes mínimos. Por outro lado, fora a vizinha do 19, as pessoas hoje em dia preferem mais passear no shopping. Pois então, ir ao supermercado é como ir ao shopping, só que com hortaliças.
Falando em hortaliças, estava me dirigindo a seção de frutas quando uma imagem me chamou atenção imediatamente. Pisquei os olhos umas três vezes para ter certeza que não estava enganado. Olhei em volta para ver se naquele momento todos estavam bestificados como eu. Por outro lado, aquilo parecia não chamar atenção de todos como fazia comigo. De costas, uma moça belíssima escolhia frutas cuidadosamente encobrindo um pouco a minha visão. Com passos lentos, comecei a me aproximar tentando aparentar calma sem levantar suspeitas. Quando cheguei, finalmente pude analisar de perto e fazer a constatação surpreendente. Atônito, não agüentei e me virei para a moça.
— Que beleza de melões! – disse fazendo biquinho e fechando os olhos.
Subitamente, antes que abrisse os olhos, senti o impacto de um grande tapa na cara, tirando meu equilíbrio e quase me jogando no chão. Quando me refiz do susto, a tal moça já tinha ido, me deixando sem entender nada. Nunca vi tamanho disparate. Também pudera, melão por R$ 2,90 a unidade é uma oferta que tira qualquer um do sério.
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sexta-feira, novembro 07, 2003
Posted
1:08 AM
by André Melo
Momentos da vida de um solteiro
Desabafo de André Melo
Existem momentos da vida de solteiro em que resolvemos fazer uma coisa estranha e desconfortável, resolvemos refletir. Mesmo não sofrendo desse mal com muita freqüência, quando ele aparece geralmente chego a conclusões nada otimistas. Já que rir das desgraças alheias é uma boa fonte de risadas, vou lhes proporcionar momentos agradáveis falando mais um pouco.
Quando a noite se alonga e as horas começam a contagem do zero, é nesse instante em que os solitários ficam mais solitários. Comigo não é diferente, nesses momentos eu sei exatamente como se sente um cacho de bananas numa daquelas promoções de fim de feira. É assim que me sinto, na promoção de rapa estoque mais barata que existe.

Porém, antes que a tristeza tome conta do meu cacho, digo, do meu corpo, tento me acalmar e lembrar que nem tudo está perdido. Em algum lugar, isso mesmo, em algum lugar existem loucos que aturam qualquer tipo de pessoa. É difícil de entender como, mas tem até aquelas pessoas que adoram bananas!
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terça-feira, novembro 04, 2003
Posted
8:30 AM
by André Melo
Jantar de reconciliação
Ela não entrou com uma cara muito sorridente à sala de jantar, mesmo assim acho que as velas que iluminavam a mesa lhe causaram surpresa. Como é que pode, mesmo em 6 anos de matrimônio nunca tivemos um jantar a luz de velas. Espere aí, teve aquela vez em que a companhia de eletricidade cortou a luz por falta de pagamento. Mas essa não vale, não foi lá muito romântico. Ela não gosta muito de sanduíche de mortadela...
Essa vez, porém, tinha que ser diferente, eu tinha que ser um gentleman. Nesses tantos anos de casado nunca estivemos num momento tão difícil, a beira de um arranca rabo definitivo. Ainda bem que recebi um aviso de cautela antes que o pior acontecesse. Nesse ponto, ainda bem que pude contar com a ajuda e sensibilidade do olhar feminino da minha irmã. Foi ela quem me deu um toque sobre o perigo eminente de separação, quando lhe contei sobre a estranha mania da minha esposa de bater a cabeça na parede segurando o álbum do casamento e dizendo “Ai! Se arrependimento matasse...”. Ainda não sei exatamente o que ela quer dizer com isso tudo, só espero que não esteja se referindo do álbum, acho que até hoje pago mensalidade pra pagar o maldito fotógrafo.
Chegando na mesa de jantar toda produzida, puxei a cadeira com toda delicadeza só para ela se sentar, como fazem os cavalheiros. Acho que a última vez que tinha feito algo desse tipo foi com umas cadeiras de praia que comprei numa promoção. Queria saber se prestavam e fiz a esposa sentar nelas, vai que não agüentam meu peso? A diferença que daquela vez teve que ser na força. Por sorte, dessa vez ela se sentou sem precisar dar um empurrão, o que talvez estragasse o espírito romântico. A primeira etapa daquela reconciliação estava cumprida.
Para abrir o banquete, preparei uma entrada com uns salgadinhos que comprei na promoção da panificadora. São gostosos quando acabam de sair do forno, mas, pelo cheiro, isso deve sido há umas três semanas atrás. Pelo jeito ela devia estar resfriada, pois comeu tudo. Um suicídio em se tratar da panificadora daqui da frente.
— Se quiser pode pegar os meus! – ofereci minha parte tentado quebrar o gelo, já que nenhuma palavra tinha sido dita até então.
Incomodado com o silêncio, parti para o “plano b”, isto é, abrir uma garrafa de champagne e deixar a moça de pileque. Não era muito elegante, só que funcionava nos meus tempos de solteiro. Tirei a garrafa da geladeira e coloquei em cima da mesa. Não demorou muito consegui arrancar as primeiras palavras da minha esposa.
— Acha mesmo que vai resolver os problemas do nosso relacionamento tentando me embebedar com essa champagne barata?
— Barata? Pois fique sabendo que gastei R$ 11,90 nela!! – respondi tirando do bolso a nota fiscal do Mercadinho Lira.
Antes que o clima pesasse de vez nesse jantar de reconciliação, logo servi a champagne mais ou menos cara e trouxe o prato principal à mesa. A lasanha estava quente como no instante que tinha saído do forno, com o queijo perfumando toda casa como sabia que ela gostava.
— Bem quente e com bastante queijo. Fiz questão de fazer do jeitinho que você gosta.
— Você fez essa lasanha especialmente para mim? – perguntou surpresa com um olhar de admiração.
— É claro que sim! – respondi com expressão apaixonada, enquanto meus olhos vasculhavam alguma embalagem da casa de massas que pudesse denunciar minhas falsas habilidades culinárias.
Bastou a primeira garfada para que o clima pesado fosse embora deixando o ambiente mais propício a reconciliação. Logicamente, o mistério de como tinha conseguido fazer uma maravilha daquelas ainda persistia. Para não deixar a história tão grotesca, disse que contei com a ajuda do amigo Ricardo Giovanni, um senhor italiano fã de futebol e da beleza das mulheres brasileiras (pelo menos é o que sempre dizem dos estrangeiros). Só não quantifiquei o tamanho da ajuda, mas isso pouco importava agora.
Não tardou, foi a vez dela retribuir o jantar com um bolo de cenoura que conta ter ouvido a receita em um programa de rádio e anotou sabendo ser o meu predileto. Seguindo as dicas do programa, ela resolveu se aventurando nessa receita somente para agradar o esposo. Dois corações apaixonados agradando dois estômagos amargurados.
Alguns quilômetros dali, a Casa de Massas Giovanni e a Confeitaria Holandesa abriam novas vagas na cozinha para dar conta dos pedidos. A oferta de empregos cresce o país prospera. Existe final feliz mais feliz que esse?
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quinta-feira, outubro 30, 2003
Posted
1:57 AM
by André Melo
Computadores do sexo feminino
Desculpas e explicações de André Melo
Como vocês todos devem ter notado, estivemos meio ausentes ultimamente, eu e aqueles colaboradores que pouco colaboram. Peço desculpas e darei as explicações. Como sou eu o encarregado de atualizar esse blog, fica tudo na minha dependência e de meu micro. E daí é que vem o problema...
Desde que tenho esse "computer", passei a reparar no seu comportamento um tanto quanto irregular e instável. Lidando cotidianamente com seu desempenho variável, comecei a entender lentamente seu comportamento. Aprendi que devia ser rude apenas no momento certo, sabendo usar a força para castigar quando preciso. Nunca ter medo e sempre impor a minha vontade, de mestre e dono. Em suma, tratando o computador da mesma forma que se deve tratar uma mulher!
Se não funciona, vou logo castigando. Se faz corpo mole, vou logo dando esporro. Faço tudo como manda a cartilha do Homem com H maiúsculo!
Acho que estou indo bem, mas até agora não deu certo nem com o computador, muito menos com as mulheres...
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terça-feira, outubro 28, 2003
Posted
9:05 AM
by André Melo
Dos males do chiclete
Quando a gente é pequeno vive acreditando em umas coisas absurdas, meio sem-pé-nem-cabeça. Acho que toda criança é um pouco maluca, fora da realidade. Meu irmão diria que elas são todas autistas, o que não é exatamente correto, mas tem lá seu sentido. Por sorte, depois que crescem elas acabam tomando jeito e ficando normais. Pelo menos a maioria, as que não conseguem ou vestem camisas-de-força ou se escondem por trás de um trabalho tranqüilo, como restaurador de pinturas ou colunista de jornal.
Assim como a maioria das pessoas, eu também tive uma infância repleta de fantasias e idéias estranhas (todas devidamente superadas). Uma das que mais me recordo era uma que me aterrorizava na hora do recreio: a crença de que se engolisse um chiclete enquanto estivesse mascando muito provavelmente iria morrer.
Premonição macabra ou maldição Ping Pong, não me refiro a nada disso, na minha cabeça isso poderia ser explicado cientificamente. Conseguia até visualizar toda cena, vista por dentro do aparelho digestivo a partir do momento em que engolisse o chiclete. A goma de mascar escorregava goela abaixo e aí começava a tragédia. Rapidamente o chiclete grudaria no esôfago, assim como faz nos nossos sapatos, e começava a sufocar o sujeito. Mas a história não acabava por aí, sentindo que o ar lhe faltava, o infeliz começaria a tentar puxar o oxigênio com toda força. Porém, ao invés de encher os pulmões, o chiclete impediria a passagem do ar fazendo bolas dentro da garganta. Isso mesmo, bolas de chiclete, só que dentro do sujeito! E assim, de bola em bola, a pessoa sucumbia sem forças.
Sei que pode parecer ridículo, mas acho que acreditei por muito tempo que existia esse risco de morrer com um simples chiclete. Sempre me pergunto de onde eu devia ter tirado essa história. Sozinho é que eu não podia ter criado isso, era jovem demais para pensar em algo tão elaborado, macabro e pegajoso. Mas quem poderia ter colocado uma idéia tão doentia na minha cabeça?
Muito tempo se passou desde que mascar chiclete deixou de ser uma aventura de vida ou morte. Mesmo assim, faço questão de saber quem foi o autor dessa teoria descabida que me enganou por muitos anos. Suspeitos eu tenho, mas confesso que ainda não cheguei a qualquer conclusão.
A primeira pessoa que teria interesse de impedir uma infância saborosa no mundo dos chicletes foi, sem duvida nenhuma, a minha mãe. Não sei o que as mães têm contra os chicletes, com a minha não foi diferente, ela também detestava que eu e meus irmãos mascassem. Ela é uma das prováveis autoras da lenda de morrer com chicletes, o que seria suficiente para que as autoridades tivessem lhe caçado a guarda dos filhos. E olhe que falo sério, esses dias li no jornal sobre uma mãe que perdeu a guarda da criança só porque a obrigava a tomar banho e fazer o dever de casa. O filho tomava banho todo dia e fazia o dever da escola, o juiz entendeu que eram maus tratos e a mãe foi presa. Tudo bem que devia ser difícil escrever com toda aquela água caindo na cabeça, ainda mais fria daquele jeito. Isso sem falar em estudar matemática com um estilete apontada pro pescoço devia ser dureza...
Outra pessoa que poderia ter inventado essa história de morrer com chicletes foi a minha irmã. Ela pode ter inventado isso tudo para não ter que dividir comigo as guloseimas, já que nossa cumplicidade não chegava a seção dos doces. Era com ela que eu protagonizava brigas homéricas pelo vidro de bolachas. Hoje, porém, tudo isso são simples recordações, ela se casou, foi morar longe daqui e não temos mais brigas pelo vidro de bolachas. Ela levou embora, aquela tratante...
O último suspeito que tenho é o meu irmão mais velho, mas esse é certeza que não foi. Ele nunca iria inventar essa conversa fiada só para ficar com os doces, foi com esse meu irmão que aprendi desde pequeno a ser generoso e dividir todas as coisas. Tudo que ganhava ele me ensinou que devia oferecer e dividir, antes de mais nada. Se tivesse doces, antes de comê-los devia vir e oferecer. Se ganhasse presentes, devia vir e oferecer. Com dinheiro, a mesma coisa, devia vir e oferecer. Nossa convivência foi sempre boa nesse aspecto, como sempre eu oferecia e dividia tudo só com ele, ele parou de me bater. Pelo menos com a corrente, só o choque elétrico que ele ainda usa.
— E agora, tio? – perguntou meu sobrinho todo preocupado.
— Que foi? Engoliu o chiclete?
— Ahã – ele concordou com uma carinha fúnebre.
— Não se preocupe, não vai acontecer nada – tratei de acalmá-lo.
— Ufa! – ele vou a sorrir aliviado.
— Só aquela sua festa de aniversário que será trocada.
— Hã??
— Missa de corpo presente não tem festa. Só espero que tenha bolo...
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terça-feira, outubro 14, 2003
Posted
9:37 AM
by André Melo
Estou aqui para a segurança de todos
Na janela, aquela alavanca vermelha se destaca de dentro do ônibus, é impossível não vê-la. Sempre que faço uma viagem de coletivo acabo me posicionado ao lado de uma delas sem perceber. Curiosidade, coincidência? Claro que não, prefiro chamar isso de instinto de herói, isso mesmo, instinto de herói. Uma coisa que só têm aqueles que se preocupam com a segurança e o bem estar coletivo. Não que queira insinuar que eu seja uma dessas pessoas, não estou dizendo isso, mas quem sempre fala isso não sou eu, sim o povo, fazer o quê?
Para vocês que não conhecem, as alavancas vermelhas são aquelas que, em caso de emergência, são usadas para abrir a janela para as pessoas desceram do ônibus. Não em condições normais, é claro, elas só podem ser usadas em caso de extrema emergência, como num capotamento, um capotamento seguido de incêndio, capotamento seguido de incêndio e queda do precipício ou então num capotamento seguido de incêndio com queda no precipício e abdução. Por sorte uma coisa dessas jamais aconteceu, pelo menos comigo dentro, o que significa que nunca vi uma dessas alavancas vermelhas sendo acionadas.
Quando me coloco no ônibus faço questão de ficar perto da alavanca vermelha. Vai que quando a gente precisa usar aparece um desses velhinhos sem força e fica bem na frente? O velhinho não consegue abrir a janela e todo mundo morre. Mas calma, para isso desenvolvi uma técnica para impedir que os velhinhos fiquem no lugar que costumo ficar. Quando um desses senhores fica atrapalhando, invento uma coisa qualquer para obrigá-lo a sair do ônibus. Algo mais ou menos assim:
— Meu Deus! Eles montaram uma barraca de beijo para provar a eficiência do novo Corega tabs! Ei... e quem é aquela dando os beijos? Não acredito, Hebe Camargo!!
Geralmente dá certo, os velhinhos ficam eufóricos e descem na mesma hora. Às vezes até com o ônibus em movimento. Tudo para que eu posso ficar ao lado da alavanca quando ocorrer alguma emergência. Como vocês podem ver, eu tenho tudo planejado, já li centenas de vezes aquelas instruções com as figuras do carinha empurrando a janela. A única coisa que me irrita nessa história toda é por que essa porcaria de emergência está demorando tanto? Precipício, incêndio, nada disso, sequer uma capotagenzinha de leve...
Confesso a você que já esperei demais pela tal emergência, precisava puxar aquela alavanca vermelha para saber se aquela geringonça funcionava de fato. Como capotagens de ônibus só aconteciam nos filmes do Bruce Willis, acho que deveria baixar o meu critério para considerar uma situação emergencial. Sim, porque muitas situações podem ser consideradas emergenciais sem necessariamente envolver acidentes.
Pensando assim, se eu estivesse num congestionamento e lembrasse que tinha esquecido o feijão no fogo, não ia ter emergência maior que essa. Ainda mais se a panela fosse nova. Numa situação dessas, eu iria explicar as circunstâncias para não gerar pânico:
— Bem, numa situação dessas não me resta outra alternativa senão puxar essa alavanca vermelha. Por favor, se acalmem, eu sei o que estou fazendo, ajam normalmente e aproveitem a viagem.
O segredo está na tranqüilidade, qualquer outra pessoa iria se descabelar quando lembrasse que esqueceu a panela no fogo. Era uma pena eu não cozinhar, pelo menos se soubesse poderia esquecer o feijão no fogo. Daí então poderia saber se aquele raio daquela alavanca vermelha funcionava como mostra o adesivo na janela do ônibus. Falo isso porque tenho lá minhas dúvidas, se funcionasse tão bem assim seriam usadas como uma saída alternativa. Algo que fosse anunciado pelas gravações: “Desembarque pelas portas 2,4 e pelas janelas com alavanca vermelha”.
É mesmo, nunca ouvi eles mencionarem esse tipo de coisa, você não acha isso estranho? Agora tudo se encaixa, na verdade aquela alavanca é só para dar a sensação de segurança, assim como as faixas de segurança para pedestres. Isso tem que se tornar público, porque a impressão que nos passam é que a alavanca funciona como aquelas sirenes de incêndio. É só quebrar o vidro que elas chamam os bombeiros. Ei... espera aí. Será que elas chamam mesmo?
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1:01 AM
by André Melo
Questionamentos de Charlie Brown
por André Melo
Não sei se vocês tiveram a oportunidade de ver "Volte para casa Snoopy", que passou no Dia das Crianças no SBT. Se tiveram, que sorte, estava muito divertido.
Uma coisa, porém, me deixou bastante intrigado e gostaria que vocês me ajudassem a entender. Certa parte, Betty Pimentinha pergunta para o Charlie Brown o que ele entendia por amor. Ele pensa por um instante e diz mais ou menos assim:
— Meu pai conta que quando era mais jovem tinha um Ford 38 que gostava muito de passear. Naquela época, ele gostava de uma menina e fazia questão de lhe dar carona. Muito gentil, ele vinha até o lado do passageiro e abria a porta para a moça entrar, tudo como um perfeito cavalheiro. Quando ele voltava para entrar, ela tinha abaixado o pino e se trancado. Ele não conseguia entrar e ela ficava lá dentro fazendo caretas e rindo. Papai disse que isso é o amor.
Espero que cheguem a uma conclusão sobre isso e assim que chegarem, por favor, me escrevam. Eu ainda não sei o que pensar.
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domingo, outubro 12, 2003
Posted
11:04 AM
by André Melo
Devíamos seguir o exemplo americano
escrito pela autoridade Delegado Maranhão
Ultimamente muito tem se falado da eleição de Arnold Schwarzenegger para governador do estado Nevada, nos EUA. Grande parte do que tem se falado, por sinal, pura chacota e avacalhação. Mais uma vez, o povo brasileiro me envergonha ao desprezar o exemplo de democracia dado pelos americanos. Sou completamente a favor da eleição de Arnold para o governo de Ohio, e desde o início apoiei a candidatura. Acho até que deveríamos fazer algo parecido aqui em nosso país.
Arnold, governador do estado de Utah
Sim, como não? Se eles podem, nós também podemos! No nosso governo falta alguém assim, uma pilha de músculos com um baita carisma. Isso mesmo, o Lula até que não é má pessoa, mas duvido que levante muito peso como Arnold. É claro que isso é importante, pelo menos foi assim que pensaram os eleitores da Geórgia que votaram em Schwarzenegger. Sendo assim, passei muito tempo pensando em um similar brasileiro para o governador do Mississipi. Mas quem poderia ser?
Antes que o desanimo tomasse conta, finalmente achei a pessoa ideal para o cargo. Essa pessoa vocês vão conhecer em primeira mão! Senhoras e senhores, eis o próximo salvador da pátria:
Vote em Alexandre Frota
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sábado, outubro 11, 2003
Posted
1:00 AM
by André Melo
Personagens prediletos
por André Melo
Penalizados com o final dessa novela das oito, pedi para cada um dos colaboradores (que pouco andam colaborando ultimamente) apontarem o personagem que sentirá saudade. Convido também vocês, queridos leitores, a deixarem sua opinião e seu personagem predileto de "Mulheres Apaixonadas".
Atanagildo Parintins, porno-poeta, modelo e ator
"Dentro todos os personagens dessa fantástica novela, porno-poetamente falando, o que eu mais vou sentir saudade é da Natália do Vale. Nunca uma mulher prestigiou tanto a classe dos taxistas como ela, isso sem falar daquele final ordinário apenas comprovando aquela célebre frase da filosofia milenar chinesa que diz mais ou menos assim: A mulherada não vale nada."

Clédisson Craveira, autor da novela "Homens de Barraca Armada"
"Essa é fácil de responder vou ficar com saudades da Dóris, ela é muito boa. Boa atriz, entende? Ainda bem que posou pra Playboy e a gente não precisa esperar até o "Vale a pena ver de novo" para ver o seu talento."

Senhor Delegado Maranhão
"De todos os dramas que presenciei na novela, nenhum me chocou tanto quanto aquela personagem que não teve final feliz: a coitada da Inês, a avó de Salete. Ela acabou sem neta, sem companhia e sem $$... Além disso, cá entre nós, ela é uma tetéia!
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terça-feira, outubro 07, 2003
Posted
7:56 AM
by André Melo
Reality Papa
Às vezes parece que estamos sonhando acordado, dormindo de olhos abertos, como se estivéssemos esperando uma surpresa. Era exatamente assim que me sentia naquela noite, quando vasculhava os canais da televisão a cabo exercitando o polegar e tentando aprender árabe com a Al-Jazira. Como vocês podem imaginar, já estava em clima de fim de festa, procurando qualquer coisa na televisão para matar o tempo. Foi numa dessas zapiadas que cheguei até uma propaganda de cair o queixo.
Não me refiro a qualquer produto mágico como uma fantástica escova para tapetes ou uma fantástica loira segurando uma escova para tapetes, na verdade era só um capítulo de um novo reality show. Não que esses programas tenham algo de extraordinário, ainda mais agora que sua fórmula já foi incansavelmente repetida, mas o tal episódio me pareceu estranho logo de início.
Aquela propaganda começava com frases poéticas ditas com um pôr-do-sol daqueles feitos para emocionar. Quando finalmente começou, as cenas que se seguiam me deixaram ainda mais confuso, principalmente na pessoa que era o centro das atenções: o Papa.
Peraí, deve ter alguma coisa errada, aquele lá não podia ser o Papa. Talvez só mais um cara que se parece com o Papa, algo como o Tom Hanks da novela das 8. Mas onde já se viu um reality show com o Papa? Tentando entender o que se passava, continuem com os olhos grudados na TV. Entre as imagens que mostravam o João Paulo II, uma voz de fundo narrava como tinha sido seu dia, quem ele tinha canonizado hoje, os que foram beatificados e coisa e tal. Deu o intervalo comercial e comecei a tentar digerir a coisa toda.
Era engraçado pensar onde as coisas tinham chegado. No começo, o público queria conhecer a rotina das pessoas comuns, em seguida se interessaram pelos ricos e famosos. Até aí tudo bem, mas pensar que um dia as coisas acabariam no Papa João Paulo II era outra coisa, acho que ninguém tinha ido tão longe. A vinheta do pôr-do-sol começou de volta, os comerciais já tinham acabado (adoro TV a cabo). Enquanto a imagem mostrava a praça São Pedro vista do alto, a voz anunciava a melhor parte do programa.
Nessa hora fiquei bastante curioso, lamentei até não ter feito pipoca. Se aquele programa já estava sendo curioso, imagine só como seria a melhor parte. Mas qual seria a melhor parte? Talvez uma briga de coroinhas, um escorregão do arcebispo, sei lá, podia ser tanta coisa. Em poucos instantes a imagem se aproximou e voltou a estampar o Papa. Olhava com atenção para desvendar o mistério. A cena mostrou João Paulo II lendo discursando e de repente parava de cansaço. Na platéia, palmas e gritos de incentivo. Em seguida o papa perdia o fôlego, a multidão se agitava. Por fim, para o delírio de todos, o Papa tossia. O momento era tão especial, segundo o narrador, que merecia ser repetido em câmera lente e em close.
Pouco depois o programa se encerrava lembrando o telespectador que estariam no mesmo canal e no mesmo horário no dia seguinte. A voz também lembrava que a série estava chegando aos seus capítulos finais. Os créditos subiam juntamente com o emblema de direitos reservados e assegurados pela emissora. O programa tinha acabado e daria lugar à próxima atração, “Plantão Médico”.
Puxa vida, aquilo não fazia o menor sentido, onde se viu fazer das dificuldades do Papa um motivo para um reality show? Acompanhar dia-a-dia seu estado de saúde se degenerando tinha virado uma atração de TV a cabo, algo como seriados enlatados americanos. Se soubesse desse tipo de abuso jamais tinha assinado essa TV a cabo. Assinatura em TV a cabo? Mas quem disse que assino um TV a cabo?
Foi somente nesse momento que acordei e percebi que aquilo tudo tinha sido só um sonho, na verdade estava apenas cochilando em plena TV aberta. Em vez de reality show, o jornal da noite passava as notícias do mundo real, com problemas reais e outras coisas legais. Refeito do susto, ia já desligando a TV quando ouvi que no próximo bloco iria mostrar as últimas notícias do Papa. Sabe de uma coisa, seja sonho ou realidade o melhor mesmo é ler um livro.
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quinta-feira, outubro 02, 2003
Posted
12:21 AM
by André Melo
Atendendo a uma porrada de pedidos
voltamos a apresentar a novela
Homens de Barraca Armada
a versão macho dessa novelinha das 8
idealizada por Clédisson Craveira, um macho do caralho
O padreco não agüenta mais as tentações daquela gostosona da Lavínia Vlasak e resolve pedir conselhos ao arcebispo
— ... e ela vive aparecendo no meu quarto como algum pretexto para se esfregar na minha batina.
— Meu Deus!
— ... e ela se preocupa tanto comigo, arcebispo. Como sabe que eu gosto de terra e de plantas, me chamou na casa dela para organizar uma horta. Ela queria que eu plantasse a mandioca...
— Santo Deus!
— ... ela molhou a camiseta branca só para me mostrar os seis fartos dentro daquele corpinho esbelto.
— Mas será o saci!
— Pois então, arcebispo, nem sei mais como lidar com a moça.
— Calma, padreco da caralho! Mande essa pobre criatura rezar 13 Ave Maria.
— Já mandei, não adiantou nada, ela continua enrabichada.
— Então mande ela rezar 13 Ave Maria só que ajoelhada no milho!
— Também não adiantou, ela disse que ajoelhar no milho a deixava com pensamento picantes.
— Mas será o Benedito! Mande essa menina rezar 13 Ave Maria, ajoelhada no milho e depois diga pra ela tomar uma ducha gelada, pra apagar o fogo no rabo!
— Eu fiz isso, arcebispo, e também não adiantou! Ela falou que quando a água cai no seu corpo suado, ela só conseguia pensar em mim.
— Deus que me perdoe, mas putaqueopariu! Fale pra essa ninfomaníaca do satanás para rezar 13 Ave Maria, 73 Pai Nosso e 154 Salve Rainha durante três dias seguidos, de jejum, em cima do milho, debaixo da ducha fria e contando quantas vezes o nome Isaac aparece na lista telefônica de Tel Aviv.
— Eu mandei, sua eminência, eu mandei ela fazer tudo isso que o senhor falou! Só que ela disse que enquanto a água gelada lhe caia no corpo, rezava os Salve Rainha, ajoelhava no milho e contava o número de Isaacs na lista, ela só conseguia pensar em mim. Ela disse que só conseguia pensar em mim, ela ficava me imaginado numa missa inteiramente nu! Eu estava rezando a missa nu, só usando um cueca de elefantinho.
— Cueca de elefantinho? Puta merda, o caso é sério mesmo. Escuta, padre do caralho, você mandou ela rezar e não adiantou.
— Não adiantou nada.
— Você mandou ela ajoelhar no milho e não deu em nada.
— Nadinha.
— Ducha gelada também não funcionou.
— Nada nada.
— Sabe de uma coisa... deixa de ser bundão e dá logo um CREU nessa gostosa!
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terça-feira, setembro 30, 2003
Posted
8:08 AM
by André Melo
Agindo conforme as últimas tendências
Subi animado os degraus que levavam até o apartamento do Alessandro, queria que ele fosse o primeiro a ler o texto. Toquei a campainha e ele me convidou a entrar com a gentileza de sempre. Conversa vai, conversa vem e ele queria saber o motivo de tão agradável visita.
— É que estou escrevendo um texto fantástico! Crime, aventura, suspense... e tudo seguindo as últimas tendências!
— “Últimas tendências”...
— Sim, as últimas tendências!
— Tá bom, mas o que você chama de “últimas tendências”?
— Cê tá por fora mesmo, hein... falo da maneira que estão contando história hoje em dia, tudo de trás pra frente.
— História de trás pra frente?
— Sim, no cinema agora é assim, a história começa pelo fim e termina no começo.
— Tudo bem, no cinema ainda vá lá, mas fazer uma história que começa pelo fim fica meio sem pé nem cabeça...
— Espera aí, antes de falar qualquer coisa eu quero que você leia. Ainda não terminei de escrever, mas leia assim mesmo.
Entreguei-lhe a folha com o esboço e ele começou a ler.
“Cansado pelo esforço, limpei o suor da testa com a gola da camiseta. Não sabia que o corpo daquele desgraçado pesava tanto”.
— É um texto de terror? Não sabia que tinha essas idéias doentias.
— Um texto de terror de trás pra frente!
“Tentou carregá-lo nos braços como fazem com as noivas, porém, isso foi só no início. Resolveu então deitar o sujeito no chão e arrasta-lo até o banheiro. Como não sabia onde deixar o corpo, ele ia ficar lá mesmo, pelo menos até a começar a cheirar mal.”
— Além de tudo assassino! Poxa, estou começando a ficar com medo de ler o resto!
— Tá bom, tá bom, chega de piadinhas. Fique quieto e leia o resto.
“Aos poucos foi sentido que a resistência ia diminuindo, se antes ele lutava desesperado agora se curvava sem ar. Não demorou muito para que suas pernas se entortassem como se estivesse bêbado e caísse desajeitado. Ainda assim eu puxava com força para terminar de sufocá-lo. Agora quero ver ele caçoar do meu jeito de escrever”.
— Certo, um assassinato. Agora me diga onde é que está a graça?
— Como assim?
— É um texto de trás pra frente seguindo as “últimas tendências”, tudo bem, mas quando vem a parte engraçada?
— Leia isso aí e depois a gente discute!
“Usando o agasalho de lã como se fosse uma corda, enrolei rapidamente no seu pescoço me aproveitando que estava de costas distraído. Ele ainda tentou escapar se desvencilhando das mangas do agasalho, mas puxava com tanta força que não deixei que escapasse. Era agora ou nunca”.
— O cara asfixiou o outro, enforcando. Mas qual a graça disso tudo?
— Você não está entendendo, o texto segue as últimas tendências...
— Que mané história de “últimas tendências”?! Estou dizendo que essa história não tem graça nenhuma!
— É que não é para ter graça, só que segue...
— Já sei, já sei, “segue as últimas tendências”. Pelo amor de Deus, não acredito que você está falando sério, esse texto não tem a menor graça! Aliás, faz um tempão que você não escreve algo engraçado. Não queria te falar, mas por aqui todos comentam que seus textos estão muito ruins.
— É verdade?
— Tô falando sério, estão muito sem graça. Já sei, aposto textos ruins são “as últimas tendências”. Para ser moderno você escreve textos ruins, ah ah ah!!
Aquilo foi a gota d’água, agüentei tudo que podia, mas quando ele começou a rir perdi a razão. Dei um soco na mesa e me levantei da cadeira de forma enérgica. Como ele tinha ido à cozinha, não notou meu estado enfurecido. Com um movimento brusco, peguei com as duas mãos o agasalho de lã preso na cintura e fui em sua direção.
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terça-feira, setembro 23, 2003
Posted
10:15 AM
by André Melo
Ossos do ofício
Para os que não sabem, tempos atrás a tranqüilidade da minha vida teve uma grande reviravolta: passei a dividir o teto com um cachorro. Calma lá, não me refiro ao meu cunhado ter vindo morar aqui, falo de cachorro no sentido mais canino da palavra. Um filhote de quatro patas veio dividir as atenções em casa. Confesso a você que essa história não teve um começo muito fácil, na minha cabeça a hipótese de ter um cachorro não combina com apartamento, ainda mais um animal daquele porte, feroz, perigoso e com dentes afiados. Em pouco tempo me explicaram que essas qualidades não se aplicam a poodle toy, mesmo assim demorou até que me acostumasse à idéia.
Logo no primeiro dia percebi que a presença do bichano mudaria a minha rotina. Sujeira, bagunça, imundice e porquice, tudo isso continuei fazendo, a diferença é que teria que dividir o território. Depois de muito tentar, percebi que o quadrúpede nunca aprenderia os hábitos de higiene. Talvez conseguisse ensiná-lo a fazer as necessidades no vaso sanitário, puxar a descarga, porém, vi que ia ser muito difícil. Isso sem falar em lavar as mãos, provavelmente ele sentiria dificuldade em abrir a torneira com as patas.
Uma coisa era inegável, eu não sabia nada sobre cachorros, sequer os filmes da Lessie eu tinha assistido. Cachorros, para mim, só faziam “au au” e enterravam ossos, só isso eu sabia. Sendo assim, logo que conheci o poodle toy fiquei aliviado, ele também fazia “au au”. Sobre enterrar ossos, porém, comecei a ficar preocupado, não se esqueçam que moro em apartamento. Imaginei ele cruzado a sala como um osso na boca e começando a cavar enquanto eu assistia televisão. Como sou distraído não ia reparar no bichano cavando e só iria ser interrompido pelo interfone. O vizinho reclamando do cachorro que tinha cavado tanto que foi parar lá, no apartamento de baixo, com aquele osso na boca. Essa cachorrada não era fácil.
Aos poucos fui me habituando com a presença e até gostando da nossa relação, a alegria quando nos recebia, a maneira que ficava fuçando a sacola do supermercado, o jeito de morder até encontrar a travessa de carnes, a velocidade que corria com a travessa na boca e a violência que nos atacava quando tentávamos pegá-la de volta. Tudo bem que às vezes a gente se irritava, mas era impossível ficar nervoso por muito tempo quando o encontrávamos todo quietinho se esbaldado com um osso, mesmo quando esse osso era da perna de mamãe.
Mas foi nesse início de primavera que a minha relação com ele ganhou um novo sentido que nem sei explicar. Nesses dias ensolarados e de céu aberto, tenho descoberto que não há nada mais divertido do que passear na companhia dele. Enquanto todas famílias se reúnem nos parques, crianças e adultos, pais e filhos, eu e ele também estamos juntos passeando como bons companheiros. Nesse momento, passo toda a minha experiência de pessoa sabida e mais velha para o pequeno filhote. “Não puxe a calça da senhora, isso é muito feio. Devemos respeitar as pessoas mais velhas, viu? Por outro lado, essa moça de vermelho é bem mais jovem, pode puxar a saia dela sem problemas. Anda logo, puxe!”.
Nessas visitas ao parque, nosso trabalho em equipe se aprimorou ainda mais, ele faz o que eu peço em troca de ossos. Nunca vi criatura mais sedenta por ossos, faz qualquer por eles. Juntos nós formamos uma espécie de time, uma dupla dinâmica, assim como Batman e Robin, Lennon e McCartney, Sadam Hussen e George Bush. Muito mais que isso, foi com ele que comecei a enxergar toda beleza e magia que existe...
— Em ser pai! – me interrompeu uma amiga ao ouvir a história.
— Ser pai?
— Foi com o seu cachorro que você percebeu toda a beleza e magia que existe em ser pai!
— Ser pai? Bom, pode até ser isso... mas eu estava me referindo a beleza e magia que existe por trás de um osso.
— Osso?!
— Sim, osso. Outro dia, inclusive, a gente chegou a brigar por causa de um osso de costela de porco. Tive até que dar umas mordidas na pata para ele soltar...
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terça-feira, setembro 16, 2003
Posted
10:20 AM
by André Melo
Deus no céu e churros na terra
Uma coisa deve ser dita: ele não teve culpa de nada, não mesmo. Foi tudo culpa desses vendedores, onde já se viu, não respeitam nem o teto sagrado. Agora o menino vai ter que enfrentar a bronca e a broca do dentista. Coitado do moleque, o médico da boca disse que ele está com mais cáries do que dentes. Vai dar o maior trabalho pra arrumar, isso sem falar do dinheiro, quase o preço de uma dentadura nova. O pai veio logo botando a culpa no rapaz, não percebeu que foi tudo coisa do demo.
Vamos então recapitular a história para vocês entenderem melhor.
Domingo era um dia sagrado, Vó Manuela sempre ia para a igreja assistir o culto do padre Augusto. Sabia todos os cânticos de cor, do Aleluia ao Espírito Santo, era só o padre começar que ela seguia firme e sem gaguejar. Diziam até que se o padre faltasse ela podia assumir a batina e dar seqüência à solenidade. Para completar a ficha impecável da carola, ela era uma pontual e generosa dizimista. Daquelas que deixavam a sacolinha mais robusta e pesada, com a graça de Deus.
Mas para a tristeza do padre e das beatas, suas freqüentes idas à igreja tiveram que ser reduzidas abruptamente. Foi numa manhã dessas que sentiu aquela pontada na coluna, parecia que tinham fisgado um robalo nas costas da velha. Muito atordoada, fez a maior gritaria até que a levaram ao doutor Castilho, médico da família.
Esse doutor era mesmo muito sabido, daqueles que só não sabem mais por falta de espaço. Faz uns vinte e poucos anos que ele é o doutor da família, sujeito competente. Vó Manuela conta que foi só entrar no consultório para já se sentir melhor, de tão competente que é o doutor. Mesmo se sentindo melhor ela resolveu seguir todos os protocolos, isto é, tirar a pressão, mostrar a língua, falar 33 e essas coisas de médico. Quando achou que tinha resolvido o causo, doutor Castilho contou o que se passava. O diagnostico foi preciso, mesmo sem fazer exames o doutor conhecia problemas assim de longa data, quando bateu o olho na coluna disse sem hesitar: “espinhela caída”.
— Será o Benedito! – exclamou com as mãos na bochecha.
Doutor Castilho ainda tentou acalmar Vó Manuela dizendo que não era o fim do mundo, só teria que se cuidar a partir de agora. Carregar peso nunca mais, ainda mais aquelas imagens pesadas de santo que ela gostava de levar pra cima e pra baixo. Além disso, ele aconselhou o máximo de descanso. Até a missa das 8h manhã ela teve que largar para descansar mais tempo, só iria agora na das 11h. Poxa vida, o culto das 11h não era do padre Augusto, foi pena ela ter que largar.
Antes que fosse tomada pela desanimo, porém, ela conseguiu pensar numa solução. Se não poderia estar de corpo presente, chamaria alguém para que representasse a família e recebesse a graça em nome de todos. Mais importante ainda seria ter alguém lá para pagar o dízimo que já tinha virado tradição na família Passos Andrade. Como era o neto mais avoado, achou que seria a melhor maneira de botar o moleque nos eixos. Sendo assim, o pequeno Teobaldo foi escolhido para essa tarefa.
Botando o terno bem cuidado, ficou tão arrumado que até fazia esquecer do cheiro de naftalina. Com as mãozinhas abanando, a família se despediu de Teobaldo orgulhosa. No entanto, toda a alegria daquela manhã foi arruinada logo depois, quando ele chegou na igreja.
“É por detrás de figuras bonitas que o demo se esconde”, já dizia o padre Augusto. E nisso ele não errou, só que foi uma máquina de churros que tirou Teobaldo do culto naquele dia. Posicionada com cuidado pelas próprias mãos do tinhoso, a máquina de churros foi colocada de tal forma que ficava bem visível quando se olhava de dentro pra fora. Não foram uma nem duas vezes que o coitado do menino tentou desviar o olhar e fugir da tentação, no final, porém, sucumbiu ao desejo carnal do churro. Só uma vez até dava pra perdoar, contudo essa cena se repetiu praticamente todo o domingo, quando gastava todo dinheiro do dízimo com guloseima. Foi o triunfo do satanás e do churro de doce de leite.
Ainda bem que Deus é pai e não padrasto, logo logo ele tratou de ajeitar as coisas. De tanto abusar dos doces do cramulião, o Senhor transformou toda essa porcalhada em cáries, cáries salvadoras. Era tanta dor de dente que fez Teobaldo parar de gastar tudo em churros e voltar à missa. Seria uma bela história com final feliz, mas essas batalhas não se vencem da noite pro dia. Realmente o garoto parou de comer churros, graças a Deus, porém, quando ia ao dentista, Teobaldo passou por uma sorveteria nova na cidade. Pois é, não é que o coitadinho novamente foi vítima e deixou todo dinheiro do dentista em troca de uns sorvetes de pistache? Pistache do tinhoso!
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terça-feira, setembro 09, 2003
Posted
7:56 AM
by André Melo
Emprego absurdo, uma insanidade
Com uma caneta vermelha fazia um grande círculo naquele anúncio dos classificados, uma rotina no domingo de um desempregado. Fechei o jornal tatuado de vermelho pensando na peregrinação que faria no dia seguinte: primeiro a empresa de refrigerantes, depois a construtora, em seguida a confecção feminina, a rede de farmácia e por último esse anuncio estranho. Toda semana era assim, tanto procura e nada de emprego. Mas dessa vez eu tinha fé que ia ser diferente.
Realmente, diferente foi mesmo, dessa vez nem cheguei à entrevista. Quatro desses círculos nos classificados foram em vão, agora só restava aquele anúncio estranho. Estranho ou não, aquela seria a minha última chance. Garanto que você está pensando “O tinha de tão estranho?”, veja e tira suas próprias conclusões.
“Empresa de Contabilidade abre vagas para Figurante. Rua Alencar Soares, 195”
Como era contador formado, tratei logo de visitar a tal empresa mesmo não conhecendo essa função de “figurante”. Chegando lá, rapidamente fui encaminhado para a entrevista, onde reparei que só estavam interessados no meu aspecto externo.
— Pode começar hoje mesmo? – foi a primeira pergunta.
— Sim? – respondi sem entender.
— Ótimo, o emprego é seu. Entre na sala no final do corredor e faça figuração.
— Uau! – não pude me conter de alegria, nunca foi tão fácil conseguir um emprego! Só tinha um problema, não tinha a menor idéia do que era fazer figuração em contabilidade.
— Como não sabe? – estranhou o meu novo patrão.
— Durante os meus cinco anos da faculdade nunca ouvi falar em figuração em contabilidade – justifiquei meu desconhecimento.
— É tanto faculdade ruim hoje em dia, nunca vi... Não tem problema, preste atenção que vou te explicar – disse num tom de professor. – Pegue algumas folhas na tua mesa e vá até o outro lado da sala para grampeá-las. Chegando lá, comente alguma coisa com o colega que estiver sentado apontando para elas. Volte para sua mesa e mexa na máquina de calcular como se estivesse fazendo uma conta qualquer. Em seguida, vá até o arquivo e pegue uns papéis quaisquer e comente alguma coisa com um colega. De vez em quando tome um cafezinho e reclame um pouco. Fazendo tudo isso repetidamente, quando for 18h pode ir para casa.
— Está dizendo que vou ficar oito horas seguidas fingindo estar trabalhando?
— Claro que não.
— Ah bom – disse aliviado.
— Não são oito horas seguidas, 12h tem pausa para o almoço.
Ainda confuso, fui conduzido até aquele que seria o meu local de trabalho. Logo que entrei reparei num monte de pessoas engravatadas correndo pra lá e pra cá. Reparando mais atentamente, notei que estavam fazendo exatamente o que o chefe havia me explicado, isto é, grampeando folhas, fazendo contas, consultando o arquivo e discutindo entre si. Quando me virei para perguntar algo, vi que o chefe já tinha saído da sala. Sendo assim, tratei de começar o meu serviço, por mais maluco que fosse.
Como me foi explicado, peguei algumas folhas em branco e fui até o outro lado grampeá-las (sendo que havia grampeador na minha mesa). Depois disso, apontei para as folhas como se perguntasse alguma coisa para o colega, ele, por sua vez, fingiu responder. Logo depois, voltei para a minha mesa e comecei a mexer na calculadora como se fizesse alguma conta. Nunca me senti tão ridículo. A quem estava tentando enganar com aquela encenação boba? Não pude entender como aquelas pessoas podiam compactuar com...
— Isso é um absurdo, vocês estão me ouvindo? – alguém gritou e interrompeu meus pensamentos. – Uma insanidade!!
No meio do tumulto, reparo em alguém atirando a pasta contra o chão e sai da sala batendo a porta. Imediatamente me identifiquei com aquele sujeito, ele também devia estar revoltado com a estupidez daquele serviço todo. Então havia alguém que pensava como eu, agora eu não estava só! Nessa hora percebi que aquele não era o meu lugar, larguei toda a papelada na mesa e fui atrás do sujeito. Caminhando a passos largos, só fui alcançá-lo no outro lado da rua.
— Concordo com você, isso é um absurdo, uma loucura – fui logo mostrar meu apoio.
— Obrigado, só fiz o meu trabalho. Agora com licença, estou atrasado – disse com uma voz serena muito diferente de há pouco.
Acompanhando-o até um bar, ele foi se dirigindo ao caixa. Puxando assunto eu lhe perguntei quando ele tinha entrado na função de figurante.
— Figurante eu? Não, você deve estar enganado, sou da profissão Revoltado.
“Profissão Revoltado”? Agora sim é que eu não estava entendendo mais nada! Como poderia haver uma profissão...
— Isso é um absurdo, vocês estão me ouvindo? – mais uma vez os gritos do meu colega me interrompem. – Uma insanidade!!
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terça-feira, agosto 26, 2003
Posted
9:36 AM
by André Melo
Uma gracinha de criança
Pegar ônibus no sábado é no mínimo curioso. Se durante a semana o clima sério e formal denuncia mais um dia de trabalho, no final de semana a coisa é bem diferente. Não que no sábado as pessoas fiquem trocando sorrisos e rindo a toa como num comercial de creme dental, mas ao invés de trabalhadores e funcionários são as crianças que chamam atenção. Os pais delas, inclusive, geralmente permanecem de rostos sérios como antes, porém as crianças é que dão a tônica do dia.
Digo isso porque só há bem pouco tempo me dei conta dessa mudança dentro dos ônibus no fim de semana. Confesso a você que nunca fui do tipo que repara muito em crianças, ao menos que estejam com uma babá impossível de não reparar. Pena que essas aí não costumam pegar ônibus.
A porta do Inter 2 se abre fazendo um baita estrondo, hora de entrar. Como estamos no sábado, logo reparo no batalhão de crianças assentadas por toda parte. Mas nada de babás, já esperava por isso. Pelo visto eram as famílias curitibanas indo dar uma volta na cidade. Ir para o parque, talvez, jogar bola ou comer algodão doce. Isso sem falar das traquinagens de criança, tentar chutar a pomba e acertar na canela do papai. Era mais um sábado desses tantos.
Conseguindo um lugar no ônibus quase cheio, uma coisa me causou estranheza naquele começo de viagem, o silêncio que fazia lá dentro. Olhando para os lados, percebi que todos os passageiros, pais e filhos, escutavam atentamente uma das crianças, a única que falava em voz alta.
— Paiê, por que as pessoas estão na rua?
Eram aquelas típicas perguntas de criança pequena, que conquistava todo mundo pela ingenuidade e inocência. As pessoas ouviam atentamente as palavras do menininho como cristãos no sermão da montanha. A cada intervale as mulheres sem filho olhavam para os maridos com cara de “Eu quero a minha Caloi”.
— Paiê, por que as pessoas estão esperando o ônibus?
Do lado da platéia, as pessoas prendiam o riso enquanto se deliciavam com o menino. Até eu me peguei sorrindo por causa do pimpolho, e isso ele conseguiu sem o advento da babá. Juntamente com os outros eu estava ansioso para saber qual seria a próxima pergunta de cunho filosófico abelhudo. Além do mais...
— Paiê, e as pessoas estão andando por quê? Por quê, paiê?
Tudo bem, tá certo que o menino era uma gracinha, mas acho que esse falatório estava começando a...
— Paiê, e elas estão saindo de casa por quê? Por quê, paiê?
Começando a encher a paciência. Será que não daria para fazer silêncio um pouquinho?
— Paiê, e elas vão passear por quê? Passear por quê?
Aquela droga daquele moleque não ficava quieto e eu já estava me enfezando. Dando uma olhada ao redor percebi que não era o único, todos os passageiros que antes estavam adorando o menino agora estavam detestando aquela praga. Passaram-se mais uns cinco minutos de “paiê” daqui, “por quê” de lá e finalmente o rapazinho desceu do ônibus. Deve ter ido para o parque ou coisa parecida. Coitada das pombas e dos cisnes que teriam que agüentar a peste. O silêncio se estabeleceu por um instante, mas todos estavam loucos para comemorar a saída daquele menininho chato. Foi só o primeiro disparar para todos desabafarem o alívio.
— Mas que menininho mais chato!
— Poxa vida, achei que não ia mais ficar quieto...
— Moleque fala mais que locutor esportivo!
— Parecia que engoliu um gravador.
— “Paiê”, “Paiê”... tenha a santa paciência!
— Se tem um filho chato assim por que levar pro ônibus?
— Então deixa a criança em casa.
— Em casa e amarrado!
A discussão corria solta e todo mundo falando soltando os cachorros no menininho. Como não podia de ser eu também fiz o meu protesto, embora acho que ninguém tenha ouvido.
— ... se ainda tivesse uma babá!
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domingo, agosto 24, 2003
Posted
4:54 PM
by André Melo
Homens de Barraca Armada by Clédisson Craveira
capítulo 28
O amor é uma coisa linda, linda pra caralho. No capítulo de hoje, veremos o nascer de novos romances. Tom Hanks, por exemplo, se cansou de dar provas de amor e hematomas para a professorinha e resolve catar novos brotos. Daí veio uma surpresa interessante, o cara descolou uma gostosa (digo, de beleza interior, é claro). Engraçado como eles combinam, ele bate na mulher e ela treina uma surra nos coroas.
Depois de uma noite de amor, regada a muita sacanagem e tchaca-tchaca, Tom Hanks diz que vai até a padaria comprar leitinha pra fazer café na cama da moça. Já na rua, Tom desvia o caminho e em vez de ir para a padaria dá uma passadinha no boteco. Chegando lá, chama todos os colegas de birita para uma revelação do caralho:
— Sabe aquela gostosinha que faz voodu dos avós? Aquela revoltada que vive querendo esconder o cartão do INSS dos velhos? A menina que vive tentando empurrar o vovô do Pão de Açúcar? Sabe, sabe??
— Fala logo!
— Tô traçando!!
E do outro lado da cidade, outro acontecimento romântico acontece nessa novela do caralho.
No hospital, o doutor César, vulgo Comedor, faz uma cirurgia de vida ou morte que mantêm todos ocupados.
— Bisturi... pinça... saca-rolha... saca-rolha... SACA-ROLHA, porra!
— Saca-rolha? Nunca ouvi falar que se usa uma coisa dessas na mesa de cirurgia...
— Então vai lá buscar, mulher inútil!
Depois que o doutor César manda a doutora Pitanga pegar o saca-rolha, ele olha pros lados para ver se está sozinho. Quando se certifica que está só, começa a dar uns tapinhas para acordar o paciente do coma.
— Acorda, acorda... ACORDA, FILHA DA PUTA!
— hãã... – responde o paciente todo grogue.
— Tá vendo essa doutorinha gostosinha? To traçando!!
No colégio onde ficam as gatinhas, o Fred, moleque fica de barraca armada pela professora, conversa com um amigo e faz revelações do caralho.
— Sabe aquela professorinha de cabelo curtinho?
— Qual?
— Aquela que sempre vem com olho roxo e cara inchada...
— Ah sei, o que tem ela?
— É que eu e ela...
— Peraí... não me diga que você e ela estão... estão...
— Isso mesmo.
— Você está traçando a fessora? É isso? Você está traçando a fessora??
— Traçando? Claro que não, onde já se viu?
— Ah bom, que susto!
— Mas que falta pouco, isso falta...
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4:52 PM
by André Melo
Problemas técnicos, desculpe...
André Luiz fala todo sem jeito
Pessoal, só vou dizer uma coisa sobre esse intervalo nas atualizações nesse blog: deu pau.
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terça-feira, agosto 05, 2003
Posted
10:51 AM
by André Melo
Na febre dos esportes radicais
Já estão se tornando rotineiras as visitas dominicais de Clédisson Craveira. Não sei ao certo a data de quando começou, só me lembro de quando ele apareceu aqui em casa no meio de uma corrida de Fórmula 1.
— Não sabia que gostava de Fórmula 1, Clédisson. Clédisson? - perguntei ao notar seu sumiço repentino.
— E não gosto – respondeu de repente saindo da cozinha e segurando um iogurte da geladeira.
Como não sou do tipo que expulsa amigos de casa (pelo menos não sem ajuda da polícia), convidei-o para se sentar no sofá e assistir a corrida. Embora eu estivesse prestando atenção nos carros, logo notei que da formula 1 ele gostava mais dos acidentes e só torcia para ver uma fratura exposta. O tempo passou e não demorou muito a corrida já tinha acabado. Nós dois, paralisados no sofá, acabamos esticando e vendo um desses programas esportivos. Daqueles que falam de todo tipo de esportes.
— Que esporte mais engraçado é esse?
— Qual?
— Esse aí que está passando! – ele insistiu apontando para a TV.
— O quê? Esse aí? – perguntei incrédulo até perceber que ele estava falando sério. – As pessoas chamam de “vôlei”.
— “Vôlei” – repetiu como criança que aprende uma palavra nova.
Como você deve ter percebido, era uma daquelas típicas manhãs de domingo, quando não há muita coisa para fazer além de ver corridas de fórmula 1 e os noticiários esportivos. Contudo, aquele não seria um domingo qualquer, foi naquele dia que vimos pela primeira vez a aparição de Dani Monteiro, a belíssima apresentadora de um quadro sobre esportes radicais. Foi graças a ela que as manhãs de domingo ganharam uma nova atração, os esportes radicais ganharam novos aspirantes, as visitas de Clédisson Craveira ganharam um novo motivo e, conseqüentemente, os iogurtes se tornaram mais escassos.
— Já acabou esse blablablá desses esportes chatos? – perguntou o Clédisson logo ao entrar em casa querendo saber se a musa Dani Monteiro já tinha aparecido.
— Espera... – disse na expectativa de que finalmente apareceria o quadro sobre esportes radicais.
Foi só falar nele e pimba, não deu outra! Rapidamente me aconcheguei no sofá para ver com cuidado. O Clédisson veio logo depois todo afobado, tanto que quase derrubou o iogurte no chão. Vidrados como de costume, assistíamos com atenção e em silêncio. Naquele dia ela iria saltar de buggle jump.
— Buggle jump? Poxa, que sem graça! – Clédisson disse frustrado. — Bem que ela podia fazer algo do tipo camiseta molhada.
— Concordo com você, Clédisson. Mas não se esqueça que o quadro é sobre esportes radicais, só esportes radicais.
— Sim, mas mesmo assim podia ser tipo buggle jump com camiseta molhada!
Até que o Clédisson diz às vezes coisas interessantes. Podia ser difícil de imaginar, mas buggle jump com camiseta molhado é uma coisa que gostaria de ver qualquer dia desses...
Como sempre acontece nesse quadro, a Dani Monteiro convidou alguém para participar do tal esporte radical. Dessa vez ela chamou um atorzinho desses de novela para saltar de buggle jump com ela.
— Eu iria! – falou o Clédisson no ato.
— Eu também! – disse para não ficar atrás.
O programa continuou só que de uma forma pouco interessante para nós. O ator bonitão toda hora vinha com galanteios para a moça. Tudo era motivo para uma troca de abraços, desde medo de saltar a cadarço desamarrado. Em resumo, ele fazia de tudo que nós faríamos no lugar dele. Mais um motivo para que causasse protestos na audiência. No final das contas, nós dois nos sentimos descartados naquele domingo. O programa acabou e nos despedimos sem muito entusiasmo. Qual seria a próxima corrida de fórmula 1? Ou o próximo esporte radical da Dani Monteiro? Ahn, quem se importa...
Naquele mesmo dia, já que estava chateado, resolvi fazer uma loucura, meu esporte radical
predileto. Mesmo com o saldo no vermelho, respirei fundo, fui até o caixa eletrônico, contei até três e saquei R$ 70,00 da conta. Detalhe: saquei tudo em nota de R$ 5,00!
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domingo, julho 27, 2003
Posted
1:19 AM
by André Melo
“Mulheres Apaixonadas” o caralho!
Clédisson Craveira chuta o balde
Realmente essa novelinha das oito já passou dos limites da enchessão de saco para o grande público masculino-macho-peludo-coçando-o-saco da televisão brasileira. Como vem sendo denunciado nesse blog, a novela é espantosamente chata e cheira conversa de cabelereiro. Coitados de nós homens masculinos machos peludos coçando o saco que temos que ver essa baboseira antes de coisas importante como Paysandu X Figueirense.
Obviamente essa situação não pode ficar desse jeito, juntamente com uns colegas cheguei até a pensar em pegar esse tal de Manuel Carlos, que escreve essa chatura, e aplicar uma surra nesse caboclo. Porém, para evitar problemas legais e contratempos do tipo, resolvi optar por uma solução mais pacífica: escrever a minha própria novela.
É claro que essa novela não incluirá aqueles feminismos baratos, aquela chatura toda e choradeira sem fim, ela vai ser a versão macho da novela das oito.
O primeiro problema foi o título, já que tivemos que achar um similar macho para “Mulheres Apaixonadas”. O primeiro capítulo ainda não está pronto, mas assim que ficar ponho aqui.
O salamandra apresentará em breve...
A nova novela...
Homens de Barraca Armada
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quinta-feira, julho 24, 2003
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terça-feira, julho 22, 2003
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1:21 AM
by André Melo
Que me desculpem as moças
por André Melo
Sei que essa é uma declaração que não irá agradar a todas, principalmente as mulheres que acessam esse blog, mas não sei mais como conter. Pessoal, eu tenho que dizer isso, me desculpem, mas EU ODEIO OS TRIBALISTAS!!!
Nada contra cada um dos três especificamente, não vou dizer que gosto mas respeito numa boa. Arnaldo Antunes eu até gosto um pouco. Marisa Monte não gosto porque sou homem do sexo masculino. E Carlinhos Brown eu respeito pelo que já criou (seja lá o que for). Mas Tribalistas é muito ruim, chatérrimo ao quadrado.
Sei que as moças que gostam (todas mulheres do sexo feminino) vão dizer que sou um insensível e que aquela música fala dos sentimentos quando amamos e estamos apaixonados.
Tudo bem, vocês podem até achar isso, mas discordo por completo. Tá certo que quando a gente fica apaixonado fica um pouco sentimental, romântico e meloso, mas graças a Deus nunca cheguei a tanto. O que foi, acha que estou exagerando? Então saca só:
Você é assssssim
Um sonho pra miiiiiiiiiim
Só penso em vocêêêêêêêêêêê
Sei lá mais o quêêêêêêê
Putz, é chato demais!
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Posted
12:51 AM
by André Melo
É melhor ser cego do que burro
“O pior cego é aquele que não quer ver”, diz aquele velho ditado. Não que saiba exatamente o que signifique, na verdade nunca dei muita bola pra ditados, ainda mais esse do “cego que não quer ver” que nunca vi muita graça. Só sei que foi isso que passou na minha cabeça enquanto esperava o ônibus dias atrás. Entre uma olhada e outra nas horas, notei dois cegos de mãos dadas andando sem direção. O tipo da cena que chamou não só a minha atenção como a de todos no ponto. Os passos vacilantes em meio à calçada esburacada ganharam mais espectadores quando os dois sujeitos desceram o meio-fio e invadiram rua. Por sorte, ainda bem que um sinal vermelho paralisava os carros impedindo maiores transtornos. É claro que aquilo não poderia continuar assim, alguém teria que intervir.
Neste momento resolvi corrigir a situação, porque mesmo sem usar capa vermelha ou cueca por cima da calça eu também tenho meus momentos de herói.
— Calma, amiguinhos, deixa que eu ajudo vocês – falei com um sotaque de Kripton.
Pegos de surpresa, notei uma reação engraçada dos dois, pareciam rir. Aproximei o ouvido para tentar entender o que cochichavam.
— ah ah ah, ele nos chamou de “amiguinhos”, ah ah ah!
— Ou ele é muito alto ou nós que somos muito baixinhos, ah ah ah ah!
Com o meu inabalável espírito solidário resolvi tomar as rédeas da situação e agir como sempre fiz (embora nunca tenha feito), isto é, segurei no ombro do cego para guiá-lo.
— Obrigado, muita gentileza a sua – agradeceu o primeiro. – Só não precisa segurar no meu ombro, deixe que eu seguro no seu, assim fica mais fácil.
— A menos que queira que nós o guiemos – falou o outro.
— Sim, claro – notei o engano e soltei o cego. – E vocês querem ir para onde?
— Nós vamos comprar louça lá no centro de...
— Já entendi – interrompi animado em poder ajudar. – É só pegar o ônibus do outro lado. Deixa que eu levo vocês.
Levei-os calmamente até o sinaleiro e, com o trânsito tumultuado, resolvi acompanha-los para evitar transtornos. Não demorou muito chegamos no ponto de ônibus e fiz questão de avisá-los.
— Prontinho. Aqui param vários ônibus e com certeza tem um que pára no centro.
— Poxa, muito obrigado mesmo! – agradeceram com sinceridade.
Me despedi deles e atravessei a rua estufando o peito como super-herói. Era bom ser um exemplo para as pessoas, alguém para as criancinhas se espelharem, mas melhor ainda quando essa pessoa era eu. Voltando ao meu ponto de ônibus, tentei fazer uma cara de pessoa humanitária que faz isso três vezes por dia. Notando uma porção de moças admiradas, fiquei sem jeito e soltei comentários justificando o meu altruísmo.
— Eles só queriam ir para o centro, fiquei sensibilizado e tive que ajudar... sabe como é, canceriano, coração mole, carinhoso e solteiro...
— Queriam ir para onde? – perguntou uma senhora no bolo de gente.
— Eles só estavam querendo ir para o centro da cidade. Sabe como é, andar pela XV, tomar um cafezinho na Boca Maldita, se apaixonar loucamente – falei essa última parte dando uma piscadinha numa morena de olhos claros.
— Indo pro centro? Ué, mas que estranho, então estão pegando o ônibus errado – a senhora disse apontando para o ônibus Campo Largo que levava os dois cegos sentados.
Levou alguns instantes para que a ficha caísse, mas quando finalmente entendi fiquei desesperado. Os coitados dos ceguinhos estavam no ônibus errado! Eles só queriam ir para o centro e estavam indo para Campo Largo. Como num flash imaginei os dois sentados no meio-fio e chorando perdidos. Aquilo não poderia ficar daquele jeito, alguém tinha que avisá-los!
Como que recebendo uma descarga de 220 V, saltei imediatamente na pista para tentar impedir o ônibus de partir. Entre buzinas, freadas e xingamentos que se ouviam, num ato de desespero mandei o motorista parar para que pudesse avisar os dois cegos.
— Vocês têm que descer, esse ônibus não está indo para o centro, ele vai para Campo Largo!
— Como é?
— Vocês querem ir para o centro, não é? Pois então, esse ônibus vai para Campo Largo, não passa pelo centro!
Os dois homens pensaram um instante até que concluíram a história toda. Muito calmamente, me chamaram para perto para me falarem no pé do ouvido.
— Amigo, acho que você não entendeu direito. Nós estamos indo pro centro sim, mas o centro de Campo Largo. Quando fui explicar você não me deixou terminar...
— E tem mais uma coisinha – o outro resolveu completar em voz bem baixa para que ninguém ouvisse. – A gente é cego, mas não é burro...
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